Joel Santana é um treinador folclórico, fanfarrão, macaco velho e conhecido por ter muita sorte.
Sorte que foi colocada à prova na estreia do Natalino no comando do Botafogo, que venceu - de virada - o América por 2 a 1 (Loco Abreu e Caio) e manteve viva a chance de classificação para a semifinal da Taça Guanabara.
Venceu, mas outra vez não convenceu.
Pouco importa, afinal, só queremos os três pontos, mesmo que sejam conquistados sem merecimento técnico e tático, apenas no "fator sorte".
Acontece que - ainda bem - sorte decide não só partidas, mas também campeonatos. E é isso que nós esperamos do novo Botafogo treinado pelo Joel Santana.
Da vitória de hoje a tarde, duas confirmações: A fragilidade do elenco alvinegro e o tanto de trabalho que o Joel terá para dar o mínimo de padrão à equipe. Com certeza ele sentiu que o "buraco é mais embaixo" do que ele imaginava.
Com menos de três minutos de jogo o América já tinha criado três excelentes oportunidades para abrir o placar. Graças a Deus que os atacantes americanos são tão ruins como os do Tigres, que nós tanto sofremos para vencer na última quarta-feira.
Até os dez minutos o Botafogo não tinha conseguido ultrapassar a linha divisória central do gramado. O único lance que chamou a atenção foi uma tabelinha bisonha entre Lúcio Flávio e Alessandro, onde o lateral deu as costas e saiu correndo sem a bola, enquanto o apoiador - pra variar - prendia a redonda...
Fora isso, o de sempre: Erros de passes, posicionamentos e atacantes completamente isolados sem receber uma boa sequer que não fosse na base do chutão. O Herrera então, coitado...
...correndo, brigando, xingando...e nada de um passe decente para o argentino.
Na defesa também, nenhuma novidade. Tanto que depois de vários erros de marcação, os zagueiros permitiram que um atacante de 1,50 metros conseguisse cabecear livremente na área e abrisse o marcador para o América.
Nessa hora a raiva tomou conta da torcida no Engenhão e de mim, aqui de casa. Já não sabia mais como xingar esses jogadores horríveis, que até os 33 minutos só assistiam um verdadeiro baile americano.
Cheguei a enviar uma mensagem para o Fábio e o Gil, perguntando se o Botafogo estava atuando de vermelho e o América de preto e branco, pois a equipe rubra parecia ser "a grande" de confronto. Os alvinegros, presos em seu campo, só se defendiam...
...até que no único lance em que os atletas conseguiram trocar quatro passes consecutivos, Marcelo Cordeiro cruzou para que o Loco Abreu fizesse o seu primeiro gol com a camisa do GLORIOSO.
Me impressiona o fato de nós termos um atacante alto e especialista nas bolas aéreas e que não é utilizado como deveria. Não por culpa do uruguaio (até porque, quando recebeu uma certa, guardou na rede adversária), mas daqueles que são incapazes de cruzar corretamente.
Final do primeiro tempo.
A essa altura o empate já tinha "sabor de vitória". E em cada volta que o cronômetro dava na segunda etapa, eu torcida mais e mais pelo ponto garantido até o momento, pois o América continuava dominando a partida e perdendo vários gols.
O Botafogo? Nada fazia de diferente (mesmo com a entrada do Diguinho na vaga do Wellington, machucado) do primeiro tempo. Ou seja: Mal armado e postado no gramado, irritando os quase 4 mil torcedores presentes no Engenhão.
De repente, "a sorte" do Joel! "Sorte" que também pode ser chamada de Caio.
O garoto entrou na vaga do sonolento Renato e mostrou disposição, velocidade, ousadia e que ainda há "luz no fim do túnel botafoguense".
Depois de criar um lance e quase virar o placar, o jogo se arrastava para o fim, quando o lateral do América tentou apoiar e o Caio roubou a bola - no campo botafoguense - arrancou em velocidade, driblou o zagueiro seguinte e colocou com muita categoria na saida do goleiro.
43 minutos! Botafogo 2 a 1.
E terminou assim! Ufa, suspirou o Joel, ciente de que vai ter que "rebolar" para "tirar leite de pedra".
Ufa, suspirei aliviado...
...e certo de que o Botafogo tem uma "jóia" em casa!
SAUDAÇÕES ALVINEGRAS!!!
Notas: Botafogo 2 x 1 América
1- Renan: Não o culpo pelo gol adversário, mas achei a bola defensável. No mais, esteve bem - 5,0
2- Alessandro: Não dá mais... - 4,0
3- Antônio Carlos: É muito fraco. Limitadíssimo - 4,0
4- Wellington: Eu agradeci ao céu quando ele se machucou e precisou deixar o jogo - 3,5
5- Fábio Ferreira: É ruim com a bola nos pés, mas foi o único dos zagueiros que ganhou a maioria das divididas e antecipações - 5,0
6- Marcelo Cordeiro: Só valeu o cruzamento para o gol do Abreu. De resto, uma lástima - 4,5
7- Herrera: Lutou muito (pra variar) e tentou fazer o possível. Entretanto, hoje não esteve nos seus melhores dias - 5,0
8- Renato: Até tem bom toque, só que demora muito para soltar a bola - 5,0
9- Loco Abreu: É jogador de área. Fora dela, mostra suas limitações (que todos nós sempre soubemos). Agora, se tiver uma oportunidade, ele guarda. E foi o que fez hoje - 5,0
10- Lúcio Flávio: Vê-lo como insubstituível, capitão e líder do grupo é algo lamentável - 3,5
11- Eduardo: Ao menos não fez firula e as habituais merdas. Mesmo assim, não foi eficiente na marcação e nem apareceu no auxílio aos apoiadores - 4,5
12- Diguinho: Bem limitadinho... - 4,0
13- Somália: Pouquíssimos minutos em campo - Sem nota
14- Caio: Repito o que eu disse no dia seguinte à estreia do Botafogo no campeonato carioca: Temos um potencial "futuro craque" em General Severiano - 5,5
Joel Santana: Só poderemos avaliá-lo a partir do próximo jogo, quando terá tempo para treinar e dar a sua cara à equipe. Ao menos mostrou que continua com a sorte de sempre - 5,0