O Botafogo venceu o Americano por 3 a 1 (Marcelo Cordeiro e duas vezes Caio) e iniciou a Taça Rio da mesma maneira da Taça Guanabara, ou seja, triunfando na cidade de Campos dos Goytacazes, no norte do Rio de Janeiro.
Com três desfalques na equipe titular (Jeferson, Alessandro e Antônio Carlos), o técnico Joel Santana não inventou, promovendo apenas a estreia do lateral Jancarlos). As outras substituições foram as manjadas Renan (gol) e Wellington (zaga).
Durante a semana que passou, o Joel Santana cansou de dizer (com outras palavras): "Estou preocupado, pois jogar em Campos é sempre difícil, e além disso, deixamos de ser o caçador e passamos a ser a caça".
E a partida provou que o treinador alvinegro tinha razão.
Não pela falta de vontade e/ou dedicação da equipe. Pelo contrário: É cada vez mais visível que o comprometimento do grupo com o Joel é enorme. A dificuldade se encontra quando o Botafogo precisa agredir o adversário e quando joga mais recuado, aproveitando os contrataques.
Foi com o "jeitão Joel Santana" de jogar que o GLORIOSO derrotou os favoritos Flamengo e Vasco para conquistar o título do primeiro turno. Nas outras vezes em que enfrentou adversários mais fracos, percebemos - com facilidade - que o time ainda carece de opções na criação das jogadas.
Resumindo: Quando enfrenta rivais que são tecnicamente fortes, o Botafogo sabe como atuar, mas quando o oponente exige que a gente tome a frente da partida, as dificuldades - por incrível que pareça - ficam evidentes.
É claro que a partida contra o Americano não foi horrorosa.
Como bem disse o Joel na saída para o vestiário no intervalo do jogo, o time alternou bons e maus momentos.
Pura verdade.
Começamos bem, pressionando o adversário, caímos de rendimento no decorrer dos primeiros 45 minutos, marcamos o gol depois de bela assistência (de cabeça) do Abreu para o Marcelo Cordeiro, sofremos o empate no minuto seguinte e fechamos a etapa inaugural em condições de igualdade numérica e de futebol apresentado.
Em minha opinião, o Botafogo precisava de alguma mudança no intervalo...
O Joel Santana voltou com a mesma equipe e o que vimos foram 15 minutos de pressão do Americano, colocando, inclusive, duas bolas nas nossas traves.
Nessa hora, confesso, achei que sofreríamos a virada, pois o sábado não tava com "cara" de que iria terminar bem...
Eis que durante as trocas rotineiras de torpedos com os amigos durante a partida, o Fabião me manda a seguinte mensagem: "Tá na hora de mudar, Joel".
Assim que o intervalo técnico terminou (20 minutos do segundo tempo), o "golpe de mestre" (e de sorte!) do treinador botafoguense: Caio entrou em campo na vaga do apagadíssimo Eduardo.
Pois bem...
...após uma jogada sensacional do Herrera, o jovem atacante tocou pela primeira vez na bola.
Resultado?
Gol! 2 a 1 para o GLORIOSO!
Esse Caio é bom e tem "estrela". Aliás, não sei que dupla dá mais prazer em ver no atual Botafogo: A raça e determinação do nosso "ataque Mercosul" (Herrera e Loco Abreu) ou o "entrosamento" do Natalino com o Caio.
A partir do segundo gol botafoguense, achei que o treinador mexeu errado ao tirar o Jancarlos (me desculpe, mas quem atua durante 75 mintuos consegue terminar a partida) e improvisar o Somália.
Por mais que não tenha comprometido, o volante improvisado no lado direito passou alguns apuros nos ataques do Americano. Seria melhor o Joel ter colocado o Sandro Silva, que apesar de também ser volante, já atuou várias vezes como ala direito no Palmeiras.
Mas esse Natalino tem uma sorte e tanto...
...e depois de boa jogada do Lúcio Flávio, a bola sobrou novamente nos pés do Caio, que driblou o goleiro e marcou o terceiro do Botafogo (e o seu segundo gol no jogo).
Agora sim: Três pontos garantidos.
Ainda deu tempo para o Renato entrar em campo para cadenciar e tentar explorar o lado esquerdo do ataque alvinegro, além do Caio confirmar outro talento nato que carrega consigo: Arrumar expulsões nos adversários.
Com vantagem no placar e no número de jogadores em campo, foi só administrar o marcador e esperar pelo apito final.
Na quinta-feira o GLORIOSO receberá o Duque de Caxias no Engenhão.
Provavelmente o Caio começará ao lado do Herrera, já que o Abreu foi convocado para a seleção uruguaia.
Será que o garoto conseguirá manter o ritmo alucinante desde o primeiro minuto?
Ou o Joel Santana manterá o seu "talismã" para o segundo tempo?
SAUDAÇÕES ALVINEGRAS!!!
Notas: Botafogo 3 x 1 Americano
1- Renan: Substituiu bem o Jefferson, fazendo três excelentes defesas - 6,5
2- Jancarlos: Pode não ser um craque, mas mostrou que é muito mais inteligente do que o Alessandro - 5,5
3- Wellington: Alguns bons lances e outros bem ao seu estilo...lentão e molenga - 5,5
4- Fábio Ferreira: De novo, o mais seguro na zaga - 6,0
5- Leandro Guerreiro: Não foi mal, mas estranhamente está longe de ser o volante das duas últimas temporadas - 5,5
6- Marcelo Cordeiro: Começa a se transformar em lateral artilheiro. É uma excelente arma ofensiva e está melhorando no setor defensivo também - 6,0
7- Herrera: Incansável, brigador e importantíssimo ao criar a jogada do segundo gol botafoguense. O melhor em campo, mesmo sendo caçado pelos adversários - 6,5
8- Fahel: Quando não precisa pensar com a bola nos pés, acaba nos assustando menos (e isso é extremamente positivo) - 6,0
9- Loco Abreu: Importantíssimo para o time. Mais uma vez foi fatal, pois quando não faz gol, dá o passe para alguém marcar - 6,0
10- Lúcio Flávio: Começou a partida com todo o gás, se movimentando bastante. Terminou um pouco cansado (e recuado como segundo volante), mas hoje não se escondeu e criou a jogada do terceiro gol alvinegro - 5,5
11- Eduardo: A peça destoante. Não é notado em campo...seja na defesa, no meio ou no ataque - 4,5
12- Caio: Três toques na bola e dois gols - 6,0
13- Somália: Não é lateral e se esforçou para atuar improvisado no setor - 5,0
14- Renato: É técnico e tentou criar lances ofensivos. Quase marcou um golaço - 5,5
Joel Santana: Não pode mais insistir com Eduardo (pelo menos ele). Apesar da sorte na hora que colocou o Caio em campo, considero que as substituições do Herrera e Jancarlos foram equivocadas (principalmente do lateral, já que o atacante sentiu um incômodo muscular) - 5,0