
De volta ao Cantinho Botafoguense após um final de semana ausente...
Eu tinha certeza de que a segunda-feira seria muito melhor, mas ao saber do resultado da partida do Botafogo, juro, agradeço por não ter assistido.
Depois de ler a excelente análise do Fábio, então...
Aliás, sem mais palavras, pois o amigo foi perfeito em tudo o que escreveu (mais uma vez).
Diz aí, Fábio...
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Os rivais agradecem ao "filantrópico" Botafogo.
Não, amigos. Não estou falando da derrota do Botafogo para o Internacional, em pleno Engenhão, embora eu tenha começado o título do texto exatamente igual ao que o Rodrigo fez sobre aquela derrota no domingo anterior.
Mas é que o filantrópico Botafogo ajudou a ressuscitar mais um no Campeonato Brasileiro: a ex-lanterna Portuguesa de Desportos.
Da outra vez que o Rodrigo me concedeu esta tarefa de escrever sobre uma partida, ganhamos do Goiás, no primeiro turno. Agora, infelizmente, perdemos e de forma irritante.
Passamos a semana inteira ouvindo o técnico Ney Franco e os jogadores falando que o jogo contra a Lusa seria um grande passo para a conquista dos três pontos perdidos para o Internacional e, conseqüentemente, para o time continuar sua luta pelo título.
No final do jogo, na entrevista coletiva tinha outro tom, reconhecendo que o título ficou distante. Mas será que já esteve perto?
Para um time que atuou de forma desastrosa como hoje, em especial no segundo tempo, contra o lanterna do campeonato, a impressão que dá é que, na verdade, fomos iludidos por uma reação que teve começo, meio e fim.
Desde o começo do jogo, a zaga (?) do Botafogo parecia louca para entregar o ouro. Se posicionava mal, perdia todas as divididas e se atrapalhava grosseiramente diante de bolas em seus pés.
E olha que só fomos ameaçados de forma clara em um lance, quando, aos 33 minutos, Rai chutou forte, no travessão de Castillo.
No restante do primeiro tempo, de baixíssimo nível técnico, o Botafogo foi superior.
Túlio e Carlos Alberto arriscaram bons chutes de fora da área. Mas só aos 41 minutos que o gol saiu. Triguinho, em raro momento de lucidez, fez belo lançamento para Carlos Alberto, no segundo pau, que deu o passe de cabeça para Wellington Paulista finalizar certeiro.
Poderia ter aumentado ainda no primeiro tempo, quando Túlio se aproveitou do corte feito pela zaga da Lusa de um lançamento que buscava Wellington Paulista, e conduziu a bola até sair na frente do goleiro. Só que adiantou demais e perdeu o tempo da conclusão. Poderia ter tocado para Wellington Paulista, mas não o fez e o jogo, talvez, tivesse estado totalmente sob o controle do Botafogo ali naquele momento.
No segundo tempo, o time foi nada mais que bisonho. Além de ter recuado de forma exagerada, não conseguia acertar nada.
O técnico da Lusa fez duas alterações que melhoraram significativamente seu time, fazendo entrar Vaguinho e Fellype Gabriel, que, de cara, acertou um chutaço que Castillo defendeu.
E o Botafogo parecia aceitar a pressão adversária. Tanto que, aos nove, tomou o empate.
E, que me perdoe quem goste do Castillo, mas aquele argumento de que é experiente e coisa e tal não dá mais. Um grande atleta tem condições de assumir grandes responsabilidades com 19 anos, assim como Renan já fez outras vezes.
O primeiro gol da Portuguesa foi um show de erros da nossa defesa. Edson ficou olhando o adversário subir e Castillo conseguiu rebater a bola pro meio da área, nos pés de Fellype Gabriel, que só completou pro gol.
Nesse lance, o goleiro saiu machucado, sabe-se lá como. Afinal, saiu sozinho no cruzamento e não trombou com jogador nenhum.
Se a coisa já estava ruim antes do empate, ficou ainda pior depois. O Botafogo sumiu de vez e, além de nervoso, tinha a cara de seu técnico: perdido.
Ney Franco julgou necessário tirar o Diguinho, após levar um cartão amarelo, para colocar Zé Carlos, absolutamente inútil, deixando o time com um a menos e abrindo escandalosamente o meio de campo.
A receita para a virada estava dada.
E, depois de um lançamento longo, por alguma razão, Thiaguinho foi achar que era craque. Em vez de espanar, perdeu a bola, que sobrou limpa para Edno. O atacante, cara a cara com Renan, acertou um chutaço, indefensável.
Depois do gol, a equipe inteira se achou no direito de reclamar de uma falta no nosso lateral e Ney Franco, em vez de mexer pra frente, resolveu acusar o erro do Thiaguinho e colocou Alessandro em seu lugar.
Absolutamente entregue, a zaga do Botafogo ainda viu Edno receber livre outra vez. Com calma, o atacante driblou Renan e marcou o terceiro.
Esta atuação do time foi de longe a pior desde que Ney Franco assumiu a equipe e deixa uma incógnita no futuro do Botafogo no campeonato. Ou melhor, deixa uma certeza: título, só se for em 2009.
Péssima atuação do sistema defensivo, doses de individualismo no meio-de-campo e inoperância do nosso ataque. Assim pode ser resumido o esquema tático do Botafogo nesta 26ª rodada.
Seis pontos perdidos para a Portuguesa de Desportos. Um feito incrível para um time que se acha capaz de brigar pelo título.
E não sei se reclamo do fato de termos jogo já na quarta-feira, ou se agradeço por isso. Reclamar porque deu vergonha de ver esse time dessa forma. E agradecer porque, pelo menos, não vamos ficar uma semana inteira ouvindo desculpas esfarrapadas sobre essa derrota, assim como foi depois do jogo contra o Inter.
NOTAS: BOTAFOGO 1 X 3 PORTUGUESA
1- Castillo – fez uma boa defesa e rebateu uma bola nos pés do Fellype Gabriel, que agradeceu e empatou. Quando teremos jogo da seleção uruguaia? Nota 4
2- Thiaguinho – A afobação de outras partidas, que até podia ser interpretada como vontade de garantir sua vaga no time, deu lugar a uma inadmissível acomodação. Se achou craque e vacilou feio no segundo gol adversário. Nota 4
3- Renato Silva – Mal posicionado e, pra variar, doido para entregar o ouro. Não foi dos piores, mas... Nota 5
4- Edson – Ficou olhando a subida do adversário no cruzamento que gerou o primeiro gol da Lusa. Não sei onde ele estava no terceiro. É pra isso que o Ferrero é banco... Nota 3
5- Triguinho – Até que acertou um belo cruzamento no primeiro gol. Muito pouco para tantas partidas sem produzir. Nota 4,5
6- Túlio – Não esteve mal, pelo menos se se comparar ao nível do time. Mas não dava pra perder aquele gol no final do primeiro tempo. Nota 5,0
7- Diguinho – Correu, lutou e, como prêmio, foi substituído por causa de um amarelo. Nota 5,5.
8- Lúcio Flávio – Esteve no Canindé? Nota 1,0 – Obs.: pior do que ele só o Caio, comentarista da Grobo, que disse que o Botafogo tem nele uma grande arma nas bolas paradas...
9- Carlos Alberto – Nota 6,0 pela luta no primeiro tempo. Nota 3,0 pelo sumiço no segundo. Final: Nota 4,5
10- Jorge Henrique – Não criou nada. Nota 4,0
11- Wellington Paulista – acertou uma finalização e, tudo bem que, por várias vezes, a bola só chegava quadrada pra ele, mas não conseguiu dar seqüência a diversos lances. Nota 6,0
12- Renan – logo de cara, saiu socando forte em um cruzamento, mostrando como deve ser feito. Não teve qualquer culpa nos dois últimos gols. Titular já! Nota 7
13- Alessandro – nada acrescentou. Sem nota
14- Zé Carlos – Assim como o Alessandro, em nada acrescentou. Mas, com a sua licença, faço questão de dar uma nota 1,0 pra ele.
Ney Franco – Péssimo! A equipe recuou demasiadamente no segundo tempo. Como em outras oportunidades, demorou uma infinidade para mexer. E, quando o fez, errou feio. Nota 2,0
E-mail do Fábio: fabio.alvinegro@gmail.com
SAUDAÇÕES ALVINEGRAS!!!









