
"Caríssimos amigos,
Quando perdemos para o Corinthians na semifinal da Copa do Brasil, passei por um momento de muita reflexão e questionamentos. Me perguntava se tudo o que faço pelo Botafogo valia a pena e, acreditem, cheguei à conclusão de que não valia.
Aquele contexto todo contribuiu, também, para que eu desse um tempo no meu blog, pois pensava que era melhor ficar calado do que meter o pau no time que, invariavelmente, eu tanto amo. Além do que, quando o criei, tinha a idéia de falar bem do Botafogo para torcedores de outros times e gostava de interagir com blogs de times rivais. Diante disso, falar mal seria dar ainda mais motivos para esculacharem o clube.
É óbvio que nós, botafoguenses, já estamos calejados com tantos problemas. Já repararam, por exemplo, quantos desagrados o Rodrigo já publicou aqui no blog desde a última vitória até hoje?
Caramba, é o Lucas Silva que não tem chances, preterido por um Zé Pata de Mula da Vida, é a diretoria que vai tentar resolver o estranho chilique do Zárate (na segunda divisão do campeonato argentino, não se atrasam salários!), é o Undemberg (quer dizer, Rocambole) que se orgulha de ser "co-irmão" de quem não tem ética e respeito e ainda leva uma patada (mais que merecida) do Jorge Henrique... Não meus amigos, a última vitória do clube não foi no mês passado, foi três dias atrás apenas.
É duro ser Botafogo.
Mas, parece que para colocar nosso amor à prova, sempre nos deparamos com algo que nos emociona e vemos que ser Botafogo é ser de corpo inteiro e alma entregue.
Ontem, para me convencer de que vale a pena sim ser um dos escolhidos pelo Botafogo, me emocionei com um texto que li, pela primeira vez, de Paulo Mendes Campos e faço questão de terminar meu texto de hoje com ele, para deleite de todos nós.
"O Botafogo, às vezes, se maltrata, como eu; o Botafogo é meio boêmio, como eu; o Botafogo sem Garrincha seria menos Botafogo, como eu; (...) o Botafogo tem um possesso, como eu; o Botafogo é mais surpreendente do que conseqüente, como eu; ultimamente, o Botafogo anda cheio de cobras e lagartos, como eu.
O Botafogo é mais abstrato do que concreto; tem folhas-secas; alterna o fervor com a indolência; às vezes, estranhamente, sai de uma derrota feia mais orgulhoso e mais Botafogo do que se houvesse vencido; tudo isso, eu também.
Enfim, senhoras e senhores, o Botafogo é um tanto tantã (que nem eu). E a insígnia de meu coração é também (literatura) uma estrela solitária"
Botafogo, eu te amo!"
E-mail do Fábio: fabio.alvinegro@gmail.com
SAUDAÇÕES ALVINEGRAS!!!









