
Assim que o juiz apitou o final do primeiro tempo, eu juro que temi pelo pior na segunda etapa. Não, amigos. Não foi pessimismo, mas sim o reflexo do que o Botafogo apresentou nos primeiros 45 minutos desta importantíssima vitória de 2 a 0 sobre o Atlético MG, que nos levou - novamente, como no ano passado - para a semifinal da Copa do Brasil, onde enfrentaremos o Corinthians.
Este foi um jogo muito aguardado por todos. Aliás, os mineiros esperavam desde 2007, quando os eliminamos na mesma competição e na mesma fase de hoje. A imprensa tentou criar um clima de revanche, que não teve sucesso, por mais que o jogo tenha sido difícil.
Quando o GLORIOSO entrou no gramado do Engenhão, deu de cara com um pouco mais de 18 mil torcedores, empolgados e esperando uma bela partida. Do lado de fora, as torcidas organizadas boicotavam e protestavam contra a medida da diretoria alvinegra. Depois de uma vitória difícil e até certo ponto dramática, que me perdoem as organizadas, mas eu bato palmas ainda mais frenéticas para o Bebeto de Freitas. Bato palmas também para o Cuca, que exigiu que os jogadores agradecessem no final do encontro. E o principal: Bato palmas para estes 18 mil (arredondando)
BOTAFOGUENSES DE VERDADE. Estes sim, provaram que amam o clube e mereceram o reconhecimento do grupo. Às organizadas, que continuassem boicotando a partir de amanhã, mas abandonar o time neste momento, na minha opinião, não tem perdão.
Nem tudo foi um banho de rosas, pois durante todo o primeiro tempo os torcedores, que começaram incentivando, perderam a paciência em várias vezes, vaiando as jogadas erradas e alguns atletas em particular (Zé Carlos foi o alvo principal). Justíssimo, diga-se de passagem. Os 45 minutos foram irritantes. Um time perdido, nervoso, errando passes e oferecendo campo para o adversário, que perdeu uns três gols feitos.
Cuca iniciou o confronto com a batida escalação do Leandro no lado esquerdo da zaga. Mais uma vez o volante não esteve bem. E pelo segundo jogo seguido, ouviu algumas vaias. Insisto no que eu disse no último domingo: Temo que o Cuca esteja queimando um dos destaques de 2007, mas também acho que o próprio Leandro precisa assumir que não consegue atuar no setor e pedir pro Cuca não escalá-lo por lá. É questão de personalidade e confiança de que pode brigar pelo seu espaço aonde ele realmente se sente melhor. Ou seja, no meio de campo.
Durante o primeiro tempo, os destaques foram o Renan (para variar) e a dupla Wellington Paulista e Jorge Henrique, que estavam afastados um do outro porque toda hora tinha que revezar para buscar as bolas no meio, que não tinha criação nem marcação. A defesa também estava uma peneira e o Petkovic fez o que quis. Quero dizer, quase tudo. Só faltou o gol, que os
Deuses do Futebol evitaram, para o delírio dos botafoguenses.
Quinze minutos de tensão no interval. Eu tentava imaginar o que o Cuca faria, mas com o banco que dispõe, só mesmo com milagre. Talvez por isso ele tenha insistido em voltar com a mesma formação, apesar do primeiro tempo fraquíssimo de todo o time, exceto os três do parágrafo anterior (e um pouco do Diguinho).
Nos primeiros dez minutos da segunda etapa, nada de novo. Um golzinho do Atlético representaria a eliminação do Botafogo, pois eu não acreditava na possível reação se os mineiros saíssem na frente. Mas se o GLORIOSO não melhorou, temos que fazer justiça e afirmar que o Galo também não. Pelo contrário: Acho que eles pioraram, pois não assustaram como no início.
Quando tudo caminhava em "
banho maria", apareceu o pé do artilheiro botafoguense.
Após cobrança de escanteio, Zé Carlos desviou de cabeça e antes da bola entrar, Wellington Paulista meteu o pé e reencontrou o caminho do gol. Chegou ao seu sexto no torneio e voltou ao topo da artilharia da Copa do Brasil. Aliás, que diferença o nosso ataque com a volta do "
Wellingol", hein? Ainda bem que o Fábio não ficou sequer no banco.
Nada ganho, amigos. Um possível empate de 1 a 1 classificaria os atleticanos, que passaram a alçar bolas na nossa área de forma desgorvenada. Só o Petkovic tentava algo diferente. Foi um risco que o Botafogo assumiu, já que o sérvio teve muita liberdade para criar jogadas. Por sorte, não tem um companheiro do mesmo nível para terminar o que ele inicia.
Cuca tratou de botar o time para se defender. Novamente, um risco. Se foi calculado ou não, pouco importa. Só acho que retranca faltando mais de 15 minutos é perigoso. Edson entrou no lugar do Zé Carlos, que ouvindo as vaias, correu e se dedicou com mais vontade. Suficiente para escutar tímidos aplausos, afinal, ele, de fato, melhorou um pouco na segunda etapa.
Depois de fazer o Wellington Paulista brigar sozinho entre os zagueiros atleticanos (neste momento, Jorge Henrique era quase o lateral esquerdo), Cuca colocou Alexsandro para dar o último gás.
O jogo estava no final. A torcida misturava felicidade com tensão e os jogadores rebatiam todas as bolas com chutões para qualquer lado. De repente, a prova de que a noite era mesmo botafoguense. Do Cuca, para ser mais específico...
Túlio Souza entrou faltando dois minutos (devia ter entrado antes) para o Botafogo ganhar tempo. No seu primeiro toque, um cruzamento rasteiro para o corta-luz do Alexsandro deixar o seu "
quase xará", Alessandro, de cara para sacramentar a vitória e classificação do GLORIOSO: 2 a 0! Dito e feito!
Pelo segundo ano consecutivo estamos entre os quatro melhores da Copa do Brasil. Qual a lição disso? Simples, amigos. Por mais que tenha manias, cismas e que mereça críticas em determinadas situações, é preciso que o botafoguense reconheça - SEMPRE -o que o Cuca está fazendo nestes dois anos em General Severiano.
O nosso treinador está fazendo milagres, amigos. Ele não tem um elenco forte. Pior, ele tem um grupo um pouco inferior ao do ano passado e ainda assim, o Botafogo está aí, disputando títulos. Falta conquistá-los, eu sei, mas o trabalho está sendo feito e será premiado. Tenho certeza!
Falo isso com absoluta certeza e sinceridade. E isso porque eu virei o intervalo xingando e reclamando muito do que tinha visto no primeiro tempo, pois eu continuo não concordando com algumas peças, esquemas e alterações do Cuca. Agora, os resultados estão sendo conquistados, com suor, sorte e união.
E diferentemente de algumas torcidas organizadas, eu me considero parte destes 18 mil presentes no Engenhão. Verdadeiros torcedores botafoguenses. E estes sim, podem reclamar, xingar e comemorar, pois não boicotam o próprio clube. De novo, parabéns torcida alvinegra (
A VERDADEIRA TORCIDA ALVINEGRA).
Que venham os gambás! Estamos a quatro jogos do título! Vamos trabalhar e torcer muito, pois este ano será nosso!
SAUDAÇÕES ALVINEGRAS!!!NOTAS: BOTAFOGO 2 X 0 ATLÉTICO MG1- Renan: Não parece ter 18 anos. Está pronto e preparado - 7,0
2- Alessandro: Um primeiro tempo muito fraco e um segundo discreto...até fazer o gol que garantiu a classificação - 6,0
3- Renato Silva: Começou confuso e sofrendo com o Marques. Cresceu e terminou bem - 6,0
4- André Luis: Seguro nas bolas aéreas e forte por baixo - 6,5
5- Túlio: Noite atípica. Errou muitos passes e deixou espaçou para o Petkovic - 5,5
6- Leandro Guerreiro: Completamente torto e desajeitado. No segundo tempo só não teve trabalho porque o Atlético não soube mais atacar - 5,5
7- Jorge Henrique: Segundo bom jogo seguido. A velha dedicação em nome do grupo - 7,0
8- Diguinho: Demorou para se encontrar, mas terminou como de hábito: Muito bem - 7,0
9- Wellington Paulista: Fez muita falta nos últimos jogos. Briga em todos os lances e ainda faz gols - 7,5
10- Lúcio Flávio: Uns 20 minutos de bom futebol. Prova de que, quando ele quer, faz diferença - 6,0
11- Zé Carlos: Começou ouvindo vaias, se esforçou muito e terminou com alguns aplausos. Valeu pela vontade - 6,0
12- Edson: Anulou o Danilinho, na bola e sem faltas - 6,0
13- Alexsandro: 5 minutos em campo e um belo corta-luz para o gol do Alessandro - 6,0
14- Túlio Souza: Um único toque na bola. Decisivo - 6,0
Cuca: Assumiu todos os erros ao escalar a formação que não vem correspondendo. Desta forma, é também o grande responsável pela vitória. Repito: Faz milagres no Botafogo - 6,5