
Tudo bem que o foco do momento é o Corinthians, pela semifinal da Copa do Brasil, mas o Botafogo não pode se dar ao luxo de jogar tão mal como hoje, diante do Cruzeiro. Nem mesmo com apenas quatro titulares e vários reservas, sendo que uns, sem as melhores condições físicas. Foi um risco que o Cuca assumiu e pagou para ver.
É claro que não estou criticando por criticar. Reconheço que enfrentar o Cruzeiro, no Mineirão, é sempre difícil. Seria da mesma forma, mesmo se estivéssemos com a nossa força máxima. E também sei que um time todo modificado carece de entrosamento. Não sou tão insensível assim. Agora, não é justo que uns jogadores se esforcem e corram por companheiros que visivelmente não estão demonstrando raça e vontade.
A vitória dos mineiros foi pelo placar mínimo, e com um gol de penâlti. Na primeira etapa só não mataram a partida porque o Castillo esteve sensacional no jogo. Além do goleiro, que justificou a titularidade e a razão do apelido "
CastÍDOLO" (merecerá um parágrafo neste post), destaco apenas o Diguinho e o Thiaguinho como os únicos destaques. Junto dos três, apesar de uma nulidade em campo, reconheço o esforço do Wellington Paulista, que marcou, correu, lutou, atacou... Pena que esteve sozinho e com isso, não ganhou nenhuma jogada.
Com três zagueiros e quatro volantes no meio de campo, o Botafogo passou o primeiro tempo levando algum sufoco e sem oferecer perigo à defesa cruzeirense. Na verdade, só tivemos uma oportunidade, quando Ferrero pegou a sobra de uma cobrança de falta e chutou forte, por cima do gol do Fábio. Fora isso, Carlos Alberto, que teve uma estréia regular (considerando a falta de ritmo), tentava prender a bola, procurando o Wellington, que estava sempre muito bem marcado.
Por falar no Carlos Alberto, os primeiros 45 minutos em campo mostraram que ele tem muito a evoluir. De qualquer forma, o atleta tem uma qualidade que eu valorizo: Chama a bola e responsabilidade. Ou seja, não foge do pau. Em alguns lances, levou vantagem. Em outros, não. Ficou até a metade do segundo tempo e eu diria que teve uma estréia regular, mas com indícios de que pode dar certo.
Ah, enquanto isso, lá atrás o Renato Silva levava um baile, Leandro Guerreiro (que fez o pênalti) era driblado e ficava com a lingua de fora, Ferrero ainda não tinha ritmo de jogo e Túlio Souza errava passes curtos, apesar de que, não deixou de correr e tentar ajudar neste sentido. No outro lado, Eduardo, uma figura completamente ausente, dispersa e sem vontade de jogar, e o Edson com a sua conhecida falta de velocidade.
Resultado dessa bagunça defensiva? Os coitados do Diguinho e Thiaguinho precisaram correr e marcar todo mundo (muitas vezes, com o auxílio do Wellington, que voltava lá da frente), dando chutões, carrinhos e procurando fôlego para ligar bolas para o ataque. Quando os atacantes cruzeirenses levavam vantagem, paravam no paredão uruguaio.
Bom, eu prometi (no início deste texto) que falaria separadamente do Castillo...
O Renan tem futuro e será, em breve, o titular do Botafogo, com grandes chances de virar ídolo. Mas no momento não dá para ele, porque ídolo mesmo é o Castillo. Aliás, "
CastÍDOLO".
Se alguns jogadores não correm, outros não se dedicam e uns preferem fingir que estão gravemente contundidos, os botafoguenses podem sentir muito orgulho do seu goleiro, que foge totalmente desta "
regra do futebol brasileiro".
O Castillo voltou depois de um período afastado, devido a um estiramento sofrido na final da Taça Rio, contra o "
Unimed FC". No pênalti que deu a vitória ao Cruzeiro, não teve culpa. Até este lance, ele já tinha feito boas defesas e continuou no mesmo nível até o apito final do árbitro. Com um detalhe: No meio da partida, sentiu um incômodo muscular (ainda não sei exatamente o que foi) e atuou no sacrifício durante os noventa minutos, sem bater tiro de metas, tocando com a esquerda (ele é destro) e se jogando na bola com apenas uma perna, pois a outra estava impossibilitada.
Ontem eu comentei que a volta dos hermanos ao Botafogo significaria mais raça e comprometimento. O Castillo provou que eu estava certo. É um exemplo para os jovens que se acham craques e que não precisam jogar se estão com uma simples unha encravada. O que o Castillo fez hoje (e pelas condições que se encontrava), merece uma ovação diferenciada na próxima terça-feira. E é por isso que o uruguaio virou ídolo dos alvinegros, com menos de cinco meses de casa.
Será que, por exemplo, o Eduardo viu a atuação do nosso goleiro?
Quando o time voltou para o segundo tempo, Cuca sacou os zagueiros Ferrero e Edson, colocando Lúcio Flávio (poupado) e Bruno Costa. Com isso, tirou o Leandro Guerreiro da sua posição original, onde ele já estava mal, para atuar como terceiro zagueiro. Não vou dizer que ele melhorou, mas pelo menos não piorou.
Esta insistência com o Leandro (independente da posição) está começando a irritar demais. É hora de alguém da diretoria se intrometer, porque o Cuca parece que está cego ou com intuito de deixar os botafoguenses de saco cheio por um motivo bobo e que seria facilmente resolvido se o Guerreiro voltasse para o banco e lutasse para recuperar a sua condição de titular por merecimento, e não pelo o que fez em 2007. E essa condição de rever os titulares e reservas também serve para o Renato Silva. Reconheço que ele melhorou muito, mas um time que tem Renato Silva como titular absoluto do sistema defensivo (em todas situações e ocasiões), não pode esperar grandes vôos no Brasileirão.
Alguém sabe o que levou o Cuca a manter o camisa 3 e sacar o Ferrero e o Edson? No caso do argentino, suponho que foi o cansaço, mas mesmo sem ritmo, ele mostrou que sabe sair jogando com a bola nos pés, enquanto o Renato vai aos trancos e barrancos, trombando contra quem estiver na frente.
O Cruzeiro não atacou mais e o Botafogo também cozinhou a partida, sem oferecer jogadas que demonstrassem qualquer possibilidade de reação. Para piorar, Túlio Souza foi expulso e o Cuca sacou o Carlos Alberto (que já estava morto em campo) para entrar com o Abedi. Sim, o ex-reserva do Vasco...
Preciso falar mais alguma coisa?
Depois que o time ficou com dez em campo (e tome Castillo, defendendo tudo), restou torcer para o final e pela derrota por apenas 1 a 0.
Não foi o fim do mundo, mas mostrou que o GLORIOSO ainda não dispõe de um elenco suficientemente confiável para campeonatos longos. Alguns que estão no clube não merecem vestir a nossa gloriosa camisa.
O próximo jogo pelo Brasileirão será o clássico contra o Vasco, que hoje venceu e soma os mesmos três pontos que o Botafogo (o Cruzeiro já foi pra seis). Possivelmente um jogo recheado de reservas, pois o "
bacalhau" também está de olho na Copa do Brasil, apesar de que, o Lopes mandou a força máxima hoje, diante da Portuguesa. Ele sabe que o seu elenco também é limitado.
Dependendo do resultado de terça-feira, acho que o Cuca precisará começar a pensar da mesma forma, pois, infelizmente, não temos um grupo grande e bom, que permita folga para os titulares absolutos. Caso insista nesta tese, o Cuca corre o risco de abrir mão de pontos preciosos nesta reta inicial do Brasileirão.
Sempre é bom lembrar que não disputamos a Libertadores deste ano por questões de pouquíssimos pontos em 2007.
Bola pra frente. Agora é decisão...
Terça-feira é dia de lotarmos o Engenhão, abrirmos uma boa vantagem para o jogo da volta e depois pensar em vencer o Vasco. Vitória em clássico sempre dá um ânimo novo também.
E que todos, repito, TODOS, os jogadores revejam a demonstração de profissionalismo, raça e determinação que o Castillo nos proporcionou nesta noite. Castillo, não: "
CastÍDOLO".
SAUDAÇÕES ALVINEGRAS!!!NOTAS: BOTAFOGO 0 X 1 CRUZEIRO1- Castillo: Tudo o que eu podia falar, está neste texto - 9,0
2- Túlio Souza: Parece que rende melhor no meio de campo. Errou muitos passes. Pelo menos compensa com vontade, que as vezes confunde com violência - 6,0
3- Renato Silva: Um início horrível. Recuperou no decorrer do jogo, apesar de nunca ser confiável - 6,0
4- Ferrero: Falta ritmo de jogo, mas o simples fato de saber sair para o jogo, já é suficiente para que seja titular absoluto do time. Só o Cuca não vê... - 6,0
5- Thiaguinho: Só sabe marcar, porém, faz o que se propõe com muita competência. E com um detalhe: Não comete faltas - 7,5
6- Edson: Não comprometeu, mas é lento demais - 5,5
7- Leandro Guerreiro: Cadê o Leandro de 2007? Sem velocidade, físico e errando muitos passes. Só não é reserva porque o Cuca não quer (o que é um erro) - 5,5
8- Diguinho: O dono do time, mesmo quando atua com outra função. Impressionante como, mesmo titular absoluto, não deixa de correr e lutar - 7,5
9- Wellington Paulista: Raça reconhecida e merecedora de aplausos, mas hoje não levou vantagem em nenhum lance - 5,5
10- Carlos Alberto: Será titular assim que estiver bem fisicamente. Errou lances e acertou outros. Ao menos não foge da sua responsabilidade - 5,5
11- Eduardo: Chuteira cor de ouro. Futebol de latão. No futebol, chamamos de "
chupa-sangue" - 4,5
12- Bruno Costa: É rápido, mas não tem futebol para ser titular. No máximo, opção de banco. E olhe lá... - 5,5
13- Lúcio Flávio: Não conseguiu mudar a forma do time jogar e ainda se viu obrigado a atuar mais ofensivamente, o que lhe prejudica pela sua falta de velocidade - 6,0
14- Abedi: Insisto: O que falar de um ex-reserva do Vasco? - 5,0
Cuca: Agora é sério: Começa a irritar demais com os casos do Leandro Guerreiro e Renato Silva. Não dá mais para eles serem titulares. De resto, precisa definir logo qual jogador será utilizado em qual posição, porque muda muito de um jogo para o outro - 5,5