
Uma vitória como manda as tradições do Botafogo, ou seja, com muito sacrifício, sofrimento e emoção. Assim foi a primeira partida da semifinal da Copa do Brasil, realizada agora a pouco no Engenhão, onde o GLORIOSO derrotou o Corinthians, de virada (2 a 1), com um gol aos 43 minutos do segundo tempo.
Apesar de jogar pelo empate na próxima semana, o resultado é bastante perigoso, já que uma vitória simples (1 a 0) classifica o time paulista para a decisão do torneio. E será uma tarefa complicada para os comandados do Cuca, que enfrentarão o adversário com o apoio de mais de 60 mil corinthianos no Morumbi. Mesmo assim, dos males o menor, pois para quem começou perdendo o jogo (atuando muito mal), "
encontrar" a vitória foi quase um milagre.
Eu esperava um público maior do que os 30 mil pagantes. Mas eu também esperava um futebol muito melhor do que o apresentado. A torcida sentiu e não perdoou um Botafogo completamente perdido no primeiro tempo, sem oferecer perigo ao Corinthians e levando contrataques perigosos de cinco em cinco minutos. As vaias foram mais do que merecidas...
Botafogo e Corinthians são dois times parecidos, inclusive nas limitações. Quem tiver mais disposição sairá vitorioso depois das duas partidas. E pensando assim, eu imaginei que entraríamos com sangue nos olhos, disputando todas as bolas como se fossem as últimas. Com exceção do Túlio na primeira etapa, nenhum outro jogador assumiu a postura que uma semifinal de Copa do Brasil exige.
Defesa fácil de ser batida, meio de campo perdido e o ataque isolado e distante. No meio disso tudo, o único atleta que errava passes, corria, dava carrinho e brigava, era o pobre do Túlio. Parece que só ele estava querendo vencer e reconhecendo a importância do jogo. Uma pena, pois abrimos mão de 45 minutos dos 180 que esta semifinal reserva para botafoguenses e corinthianos.
As coisas ficaram pior quando o Wellington Paulista, que está brigado com o gol, recebeu um presente do zagueiro adversário, caminhou sozinho para a meta do Felipe e...
...conseguiu perder, cara a cara com o goleiro paulista! Incrível! Imperdoável! Mas quando a maré não está boa, não adianta. Se o mesmo lance acontecesse em março por exemplo, tenho certeza de que o artilheiro faria o gol sem problemas. Na ocasião, tudo estava dando certo.
É fase. Vai passar. Aliás, tem que passar!
Alessandro continuava errando tudo, Renato Silva e Leandro Guerreiro não sabiam se posicionar, Eduardo se preocupava com a beleza da sua chuteira , Lúcio Flávio e Zé Carlos brincavam de esconde-esconde e o Jorge Henrique disputava quem errava mais na frente, junto com o Wellington.
Esse era (e foi) o panorama alvinegro em todos o primeiro tempo. Quando acontecia algo diferente, ou era o Túlio brigando contra os adversários de branco, ou o André Luis precisando rifar bolas, "
ligando" a defesa ao ataque, alá Rafael Marques nos seus bons tempos.
Para piorar (sim, tinha como piorar), em uma das várias bobeadas do Botafogo, o ataque corinthiano teve espaço e tempo para trocar passes, até que o Carlos Alberto entrasse na cara do Renan e fizesse 1 a 0 para eles. Depois disso, ainda teve uma bola na nossa trave. Era um sinal dos
Deuses do Futebol para que acordássemos ou seria tarde demais.
E veio o segundo tempo. O Corinthians recuado e satisfeito com o resultado. O Botafogo ainda desarrumado e com o apoio - a esta hora - a "
meia boca" da arquibancada.
O Cuca voltou com o Fábio no lugar do Zé Carlos. Tenho a convicção de que o time não melhorou, mas pelo menos alguém ficou na frente e obrigou o GLORIOSO a sair mais para o ataque. Mesmo que fosse de forma desordenada.
Na base do desespero (e com a impaciência dos torcedores. Deixo claro, justificável) e com os nervos a flor da pele, Jorge Henrique finalmente soube usar as suas incontáveis quedas a favor do Botafogo. Um pênalti maroto que o Lúcio Flávio converteu e empatou a partida. Aliás, o único toque do "
maestro", que mais uma vez, abriu mão da responsabilidade de liderar a equipe.
De tanto correr no início, o Túlio cansou. Ainda bem que o André Luis reconheceu o esforço do companheiro e assumiu a raça e espírito de decisão, rasgando todas as jogadas com raiva, como manda o figurino. A torcida reconhecia cada carrinho do zagueiro com aplausos e gritos!
Continuávamos sem assustar o Corinthians, mas pelo menos eles ficaram menos perigosos também. Diferentemente do primeiro tempo, o Renan praticamente não fez defesa nos últimos 45 minutos. A partida ficou neste "
banho maria" e eu já não imaginava que algo de novo acontecesse. Estava preparado para a necessidade de fazermos - pelo menos - um gol na próxima quarta-feira.
O técnico botafoguense ainda tentou algo com a entrada do Alexsandro (na vaga do Wellington Paulista), mas - outra vez - não entendi a oportunidade para o Adriano Felicio, que para variar, deu três toques na bola: Dois para os lados e um para trás. Pronto! Cumpriu o seu papel tático de organizar o meio de campo.
No finalzinho do jogo, o Alessandro insistiu com três cruzamentos horrorosos para a área. Quanso se preparava para a quarta tentativa(que também não foi tão bom assim), eu imaginava o novo palavrão que soltaria. De repente, os
Deuses do Futebol, que nos alertaram no primeiro tempo, deram uma mãozinha extra e fizeram a bola sobrar para o Jorge Henrique, que decretou a vitória do GLORIOSO.
Nem sei se o resultado foi justo. Até acho que o empate seria mais apropriado, mas como sabemos, futebol e justiça são duas palavras que nem sempre estão juntas.
E assim vamos para São Paulo: Com a vantagem do empate, reconhecendo que será muito difícil e que, se quisermos garantir a classificação sem depender exclusivamente da sorte, precisaremos de muito mais futebol, raça, determinação e aplicação. A vantagem é nossa, mas ela é pequena! Temos que estar cientes!
Apesar das ausências do Túlio e Alessandro (cartões amarelos), eu acho que a volta do Diguinho compensa. O time sente a falta do camisa 8 titular. Sem ele perdemos mobilidade, qualidade no passe, chegada na frente e disposição. Ainda bem que você volta na quarta, Diguinho!
Vamos lá, Fogão! Demos o primeiro passo...
...apesar do sofrimento!
Obs: Nas entrevistas pós-jogo, os jogadores do Corinthians estavam bastante tranquilos com o revés de 2 a 1. Acreditam plenamente que com o apoio da sua torcida, lotando o Morumbi, podem vencer pelo 1 a 0. Bom, acho que a diretoria e comissão técnica botafoguense devem pegar as fitas do pós-jogo da primeira partida da final do Brasileirão de 95 e mostrar pros nossos jogadores. Naquela época, os santistas saíram do Maracanã achando que já eram campeões, mesmo perdendo por 2 a 1. Resultado? Todos nós sabemos, amigos! A situação me pareceu idêntica! Espero que o resultado final também seja.
SAUDAÇÕES ALVINEGRAS!!!NOTAS: BOTAFOGO 2 X 1 CORINTHIANS1- Renan: Mais uma vez provou que estamos bem servidos quando o Castillo não puder jogar - 7,0
2- Alessandro: Muito mal na marcação e fraco no ataque. Não está repetindo as atuações do início do ano - 5,5
3- Renato Silva: Faz muitas faltas, não tem tempo de bola e nunca é confiável. Assim complica... - 5,5
4- André Luis: Vários chutões para a frente, pois o meio de campo estava ausente. No mais, mostrou muita garra (principalmente na segunda etapa) - 7,0
5- Túlio: Até pode ter errados muitos passes, mas o simples fato de ser o único que entrou com espírito e vontade, compensa tudo. É o botafoguense no campo - 7,0
6- Eduardo: O "
chupa-sangue" não aprendeu a lição com a péssima partida do último domingo. Mascarado e irritante - 5,0
7- Jorge Henrique: Ainda longe de ser o "
motorzinho" de 2007. Pelo menos fez o gol da vitória, que se fosse no ano passado, certamente perderia - 6,0
8- Leandro Guerreiro: Não comprometeu, mas não repete as boas atuações mesmo na sua posição original. Insisto que hoje não tem vaga entre os titulares - 6,0
9- Wellington Paulista: Apesar de toda a luta, não está vivendo uma boa fase. Tem reclamado em demasia e esquecido de jogar mais bola - 5,5
10- Lúcio Flávio: Inconcebível que o nosso camisa 10 só apareça para bater o pênalti. Mais uma vez se escondeu... - 5,0
11- Zé Carlos: Um festival de passes errados - 5,0
12- Adriano Felicio: Lembram do que eu prometi na minha última avaliação deste rapaz? Pois é! Passo... - 5,0
13- Fábio: A velha briga com a limitação técnica. Pelo menos deu o toque de cabeça para o gol do Jorge Henrique e preencheu espaço no ataque, apesar de tentar cavar faltas em todas as jogadas - 5,5
14- Alexsandro: Fez muita propaganda no Resende, mas até agora não mostrou o "
produto anunciado (e vendido ao Botafogo)" - 5,0
Cuca: Começou o jogo sem invenções e fez o possível com o plantel que dispõe em mãos. O único erro foi - novamente - dar oportunidade ao Felicio. Não merecia completar dois anos de Botafogo com uma derrota - 6,5