
Um time que não sabe jogar pressionado por resultado. Acho que esta é a análise mais apropriada para o Botafogo, que conheceu a sua segunda derrota em casa neste Brasileirão.
O 2 a 1 para o Internacional foi mais do que merecido, afinal, os seus jogadores entraram com espírito de luta que faltou ao Botafogo. Aliás, repararam que isso sempre nos falta quando somos apontados como favoritos? O clima de "
oba-oba" definitivamente não pode mais ser instaurado em General Severiano, pois os atletas alvinegros (com raras exceções) não sabem conviver desta maneira.
E completo com outra conclusão: O GLORIOSO joga bem melhor fora de casa.
Sempre que visitamos os adversários (no comando do Ney Franco), atuamos de forma inteligente. Já no Engenhão - apesar dos bons números -, quando vencemos é na base da sorte, pois ultimamente o Botafogo não tem feito partidas convincentes na sua casa. Hoje foi apenas mais uma...
...mas para o azar dos alvinegros, perdemos!
Por sinal, não perdemos apenas o jogo. Perdemos a oportunidade de cravar os pés no
G3, abrir uma distância considerável para o quinto colocado e diminuir a diferença para o Grêmio. Agora contiunamos à sete pontos dos gaúchos, porém, apenas dois de folga pro sétimo lugar na tabela.
Os três pontos eram fundamentais.
O título estaria extremamente viável se o GLORIOSO entrasse em campo do mesmo jeito que no sábado passado, contra o Coritiba. Agora, a briga está aberta pela Libertadores, mas os alvinegros podem se preparar: As emoções só terminarão na última rodada.
E como pedir para a torcida continuar confiando na equipe? Sempre que o Botafogo precisa apenas do seu resultado, decepciona. Quando a rodada conspira ao nosso favor, resolvemos dar mais oxigênio para os concorrentes. Assim fica difícil...
Difícil também e ver o time sem o Túlio e Carlos Alberto.
Dois jogadores que fazem muita falta. Ficou claro e evidente na derrota para o Internacional, que dominou o primeiro tempo com facilidade, apesar de não "
querer definir" com pressa.
O Botafogo era presa fácil para os gaúchos, que têm um meio de campo sensacional e um atacante fora de série. Enquanto os alvinegros ciscavam pra lá e pra cá, o adversário ganhava todos os rebotes e subia com inteligência pelos dois lados, esperando a primeira oportunidade de enfiar a bola para o rápido Nilmar.
A história do jogo poderia ser outra se o Wellington Paulista marcasse um gol no início. Mas a fase do ataque botafoguense é lamentável...
Resultado: Perdemos a melhor chance do primeiro tempo, pois nos outros minutos apenas corremos atrás da bola, tocada com tranquilidade pelo adversário.
As laterais completamente inúteis e pouco utilizadas, o meio de campo perdido, sem combate e criação e um ataque nulo, apesar de três jogadores. Este foi o Botafogo nos primeiros 45 minutos.
O time jogava muito mal e a afobação começou a ser notada quando os atletas não sabiam o que fazer para furar o bloqueio colorado. Em nenhum momento vimos as ultrapassagens pelas laterais, pois a esquerda com o Gil e Triguinho, considero nula. Na direita, a falta do Túlio. No meio, a ausência do Lúcio Flávio unia ao perdido Diguinho e o Leandro Guerreiro precisando correr, sem saber exatamente para qual lado. O resumo da ópera é um só: O Botafogo não tem meio de campo (e consequentemente ataque) sem o Carlos Alberto.
O único que atuava sério e mostrando vontade era o André Luis. Já o seu companheiro de zaga...
Pois é! Depois de várias - boas - partidas, o Renato Silva resolveu lembrar a torcida de que ele continua sendo o velho Renato Silva: Fraco, disconexo e perdido.
De repente, com a bola dominada, o zagueiro resolveu acreditar que a sua boa fase era eterna. Ao ficar com a bola dominada por mais tempo do que o permitido, não teve um só sinal de alerta dos companheiros e perdeu a "
redonda". Em dois passes o Internacional encontrou o Nilmar...
Quando vi o lance, dei como perdido, afinal, a bola estava praticamente fora do campo. Mas aí entrou o Nilmar: Habilidoso e veloz, chegou antes do Castillo e tocou perfeito para o Alex estufar a rede botafoguense.
A justiça começava a ser feita, enquanto os quase 30 mil alvinegros iniciavam as primeiras vaias no estádio. Seria melhor o final do primeiro tempo. E logo!!!
Na volta do intervalo, nenhuma mudança. Comecei a me irritar neste momento, pois não aguento mais a inoperância e falta de compromisso do Gil. Esse rapaz já devia ter ficado no túnel. Para a entrada de quem? Amigos, qualquer um! Qualquer um! Até o Renan no ataque! Pelo amor de Deus!!!
O desempenho dos primeiros minutos da segunda etapa era o mesmo: Um Botafogo perdido e envolvido pelo adversário.
Em mais uma jogada isolada (aonde estava - de novo - o Renato Silva?), D'Alessandro recebeu na entrada da área, deixou o Leandro no chão e colocou na saída do Castillo. Pronto! 2 a 0 pro Inter, com o Botafogo dando adeus ao título e fazendo os rivais respirarem por mais uma rodada.
Eu confesso que não entendi a imensa vaia para o Leandro. Aliás, não vi o Guerreiro tão mal na partida. Quero dizer: A maioria esteve mal, mas o volante certamente foi "
menos pior" que, por exemplo, o Lúcio Flávio, Renato Silva, Triguinho, Gil e Wellington Paulista.
Completamente desarrumado, o Botafogo partiu para um "
abafa maluco", deixando espaços para os contrataques do Inter.
Depois de milhões de cruzamentos ridículos, um único correto e o gol da esperança, marcado pelo melhor jogador do time: André Luis.
Aí o Ney Franco resolveu fazer das suas e mostrar - pela segunda vez - que sente quando atua sob pressão: Tirar o Thiaguinho da partida foi um erro idêntico ao cometido contra o Náutico, quando sacou o Túlio.
Quando o Alessandro entrou no lugar do Guerreiro e o Thiaguinho passou para o meio, era o único que corria, apesar de afobado. De qualquer forma, como a equipe não atuava bem, melhor ter um jogador que corra do que "
moscas mortas" em campo. E o Thiaguinho (ao lado do Diguinho e Jorge Henrique) era um dos poucos que se entregaram no segundo tempo.
Como recompensa: A substituição, para a entrada do "
sempre cansado" Zé Carlos.
Torcida impaciente, time perdido e derrota anunciada.
O Botafogo só trocava passes, mas não arriscava de fora da área. Isso sem contar os cruzamentos errados. Aiás, eu nunca vi laterais tão ruins neste fundamento. Nenhum deles consegue colocar uma bola perigosa na área adversária. Ah, se esquecer - é claro - das cobranças de faltas e escanteios do nosso capitão...
Faltando dez minutos para o fim, Ney Franco resolveu tirar o "
perigoso", "
endiabrado" e "
participativo" Gil.
As vaias direcionadas à esta "
ameba" foram poucas. Este rapaz não merece mais oportunidades no time titular. E digo mais: Eu critiquei a forma física do Zárate, mas prefiro o argentino daquele jeito do que o Gil. Falo com absoluta tranquilidade, pois quem visita este
C.B, sabe o que digo do atacante, desde que foi anunciado pela diretoria botafoguense.
Apesar dos poucos minutos em campo, o Alexsandro ao menos fingiu correr, além de um chute perigoso, que tinha endereço certo se não fosse um pé do zagueiro rival.
Um último abafa e dois gols perdidos de forma bisonha. Era a derrota comprovada!
É engraçado como algumas coisas mudam tão rápido, né? Há uma semana, os jogadores se abraçavam com sangue nos olhos após a épica vitória em Curitiba. Hoje, um festival de desculpas esfarrapadas e uma só certeza para o torcedor alvinegro: A falta de mais profissionais como os dois que estiveram ausentes.
Carlos Alberto e Túlio são diferentes.
Um é o torcedor em campo. O outro é o profissional, que quer justificar o seu salário e investimento, apesar da cabeça "
maluca".
Pelo menos fogem dos padrões burocratas da imensa maioria que está em General Severiano.
E nesta derrota, só livro a cara do André Luis (em toda a partida) e do segundo tempo do Thiaguinho, Diguinho e Jorge Henrique.
O próximo adversário do GLORIOSO será a Portuguesa, que é a lanterninha do campeonato.
Eu ficaria preocupado, pois historicamente sempre entregamos o ouro quando o bandido é mais inofensivo. Porém, o fato de atuarmos fora de casa me deixa tranquilo, pois está provado (pelo menos para mim) que o Botafogo só sabe jogar na casa adversária.
E isso inclui o Ney Franco, que mostra sérios problemas nas substituições diante da torcida alvinegra.
Insisto: O Botafogo é um time que não sabe atuar sob pressão. Assim, infelizmente a realidade é dura e crua, mas ficamos à milhas de distância de times "
copeiros", que tiram a diferença justamente nestes momentos. O Palmeiras e São Paulo não me deixam mentir...
SAUDAÇÕES ALVINEGRAS!!!NOTAS: BOTAFOGO 1 X 2 INTERNACIONAL1- Castillo: No primeiro momento, achei que tinha falhado na saída do primeiro gol. Revendo o lance, desfaço a minha impressão - 6,0
2- Thiaguinho: Apesar de afobado, era um dos poucos que corriam no segundo tempo. Sacado injustamente... - 6,5
3- Renato Silva: O velho Renato Silva voltou - 5,0
4- André Luis: O melhor botafoguense em campo. Ganhou todos os lances que disputou e ainda faz o gol alvinegro - 7,0
5- Leandro Guerreiro: Partida discreta. Não entendi as exageradas vaias que recebeu - 6,0
6- Triguinho: Tá brabo! Errando atrás e na frente. Precisa de uma sombra urgente - 5,5
7- Jorge Henrique: Buscou o jogo no segundo tempo, pois sentiu que precisava correr por todos os outros atacantes. Acertou o único cruzamento do time - 6,5
8- Diguinho: Melhorou quando foi recuado na segunda etapa. Sentiu falta do Túlio - 6,5
9- Wellington Paulista: Irritante ao tentar cavar falta toda hora. Jogou isolado, apesar do esquema com três atacantes - 5,0
10- Lúcio Flávio: Apático, apagado e inútil durante os noventa minutos - 4,5
11- Gil: Muito pior do que o Lúcio Flávio... - 4,0
12- Alessandro: O maior erro é tentar cruzar toda hora. Isto porque, não sabe cruzar - 6,0
13- Zé Carlos: Não acrescentou nada - 6,0
14- Alexsandro: Ao menos corre. Coisa que o Gil se recusa - 6,0
Ney Franco: Substituiu mal o Thiaguinho, demorou absurdos para sacar o inoperante Gil e não soube motivar o time - 5,0