Certas coisas realmente só acontecem com o Botafogo...
O GLORIOSO não vencia o São Paulo - no Morumbi - desde 1995, quando foi campeão brasileiro.
Desde aquele ano, foram nove partidas, com sete derrotas e apenas dois empates.
Mas hoje acabou mais esse tabu na história recente do clube...
...curiosamente, no "dia do Botafogo". Ou melhor: No dia em que o "Botafogo" completa 85 anos.
De novo: VIVA, NILTON SANTOS!
E o tabu foi quebrado (2 a 1 - Antônio Carlos e Renato) de virada, após 90 minutos de muito equilíbrio.
Sem contar com o Loco Abreu, o Botafogo mudou um pouco a forma de jogar, insistindo menos nas bolas aéreas e tentando chegar com mais frequência pelo chão.
Alternamos bons e maus momentos, mas no todo, não houve uma equipe que tenha dominado a partida.
O São Paulo encontrou mais facilidade no primeiro tempo, aproveitando a displicência assustadora do Sandro Silva e o improvisado (e torto) Somália no lado esquerdo.
Aliás, hoje - mais uma vez - ficou provado que o Somália pode continuar no time titular...
...desde que no lado direito, com o Marcelo Cordeiro (que não pode ser reserva desse time) cuidando da esquerda.
Mas voltando ao jogo, em uma bobeada geral, o Léo Lima subiu sozinho (lembrou o terceiro gol do Santos na rodada passada) e abriu o marcador. Houve erro de posicionamento da zaga e de cobertura dos volantes.
Nessa hora eu gritei: "Putz, não é possível que nem hoje, quando o jogo tá pra gente, nós vamos vencer...".
Alguns minutos depois - e algumas tentativas de faltas e escanteios sem perigo -, Lúcio Flávio levantou uma bola na área, o Antônio Carlos subiu e guardou na rede do Rogério Ceni.
Mas não valeu...
...o árbitro marcou falta do Herrera.
Caramba! Agora até a sorte estaria nos abandonando?
Por pouco tempo, até que em outra bola levantada pelo "camisa 10" (que fez um bom primeiro tempo), o zagueiro-artilheiro repetiu o movimento e marcou o seu terceiro gol em dois jogos no campeonato.
E ficou assim até o final da primeira etapa.
Os times voltaram sem modificações e a única diferença no segundo tempo, foi que a partida caiu de rendimento. O jogo ficou sem graça, sem lances de perigo e com a bola rondando o meio de campo...
O tempo passava e eu gritava à medida que trocava umas mensagens com o Gil, o Fabião e meu pai: "Muda alguma coisa, Joel. O Lúcio Flávio morreu, o Somália tá se enrolando todo, etc...".
Só que com o Natalino é assim mesmo: Fortes emoções e as previsíveis mudanças nos conhecidos minutos, né?
Foi só o relógio marcar 20 minutos, que alguns atletas iniciaram o aquecimento.
Primeiro foi o Edno, sem acrescentar muita coisa. Em seguida - quando faltavam aproximadamente 13 minutos -, entraram o Renato e Marcelo Cordeiro de uma vez.´
Aí sim, o Botafogo voltou a colocar um gás na partida. Mesmo assim, as reais chances de gols não apareciam. Pelo contrário: Na única (um belo chute do Renato) bola em direção ao gol tricolor, o Rogério Ceni salvou.
Tudo indicava que o GLORIOSO conquistaria o seu segundo empate...
De repente o Renato pega a bola, rola pro Herrera, que deixa o corpo cair sobre o adversário...
...a bola sobra para o próprio Renato, cara a cara, marcar o gol da virada alvinegra e dar um fim ao tabu de 15 anos.
E isso aos 43 minutos do segundo tempo!
Melhor presente para os botafoguenses, impossível! Principalmente em uma data tão especial!
Parabéns ao time, que dentro das suas limitações jogou certinho. Não dá para cobrar muita coisa além do que vimos, mas justiça seja feita, não tem faltado disposição e aplicação tática. Talvez as coisas melhorem consideravelmente quando fecharmos com o Maicosuel. Aí poderemos, quem sabe, esperar por vôos ainda mais altos no Brasileirão.
Foi a impressão que eu tive.
SAUDAÇÕES ALVINEGRAS!!!
Notas: Botafogo 2 x 1 São Paulo
1- Jefferson: Sem culpa no gol são paulino. Nas demais bolas, seguro como sempre - 6,0
2- Alessandro: Esforçado, mas não aproveitou o corredor que tinha no seu lado - 5,0
3- Antônio Carlos: Além do terceiro gol no campeonato, fez uma partida impecável lá atrás - 7,0
4- Fábio Ferreira: No mesmo nível do companheiro de zaga. Apenas deu mole ao cometer muitas faltinhas próximas da nossa área - 6,5
5- Leandro Guerreiro: Uma partida tática sem aparecer muito para os torcedores - 6,0
6- Somália: Errou mais do que acertou. Mesmo assim, é quem menos tem culpa, afinal, está completamente torto no lado esquerdo, por opção do treinador - 5,0
7- Caio: Não sentiu a pressão de atuar no Morumbi. Correu o tempo todo e foi caçado pelo adversário - 6,0
8- Fahel: Boa partida na marcação - 6,0
9- Herrera: Já estamos mais do que acostumados a vê-lo lutando durante os 90 minutos. Fez um excelente jogada (ao deixar a bola passar) no gol da vitória - 6,0
10- Lúcio Flávio: Surpreendeu positivamente no primeiro tempo, chamando o jogo, distribuindo as jogadas, etc... Na segunda etapa sentiu a falta de ritmo de jogo e caiu de rendimento - 6,0
11- Sandro Silva: Vários erros de passes e uma displicência irritante - 4,0
12- Edno: Não acrescentou muita coisa, apesar de ter melhorado um pouco - 5,0
13- Marcelo Cordeiro: Não há explicação lógica para ele ser reserva do time - 5,5
14- Renato: Poucos minutos em campo, duas bolas bem passadas, um chute perigoso e o gol da vitória. Tá bom, né? - 6,5
Joel Santana: Nem perderei tempo em criticar as suas habituais mudanças nos horários pré-definidos. Armou bem a equipe (dentro das limitações técnicas dos jogadores). Só não pode mais insistir com o Somália na esquerda, deixando o Marcelo no banco - 5,5