Sensacional!
É a única palavra que encontro para classificar a crônica escrita pelo Carlos Eduardo Novaes na edição deste domingo do Jornal do Brasil, que infelizmente deixou de existir em papel impresso e só está disponível virtualmente.
A crônica exalta aquele que eu julgo como o craque do Botafogo em 2010: O goleiro Jefferson.
Além disso, faz uma crítica ao sistema de jogo do técnico Joel Santana.
"Ao contrário do que acontece com o atacante Washington, a chegada do goleiro Jefferson em casa depois dos jogos é uma festa. Já ao despontar na rua, a meninada sai correndo atrás do seu carro, saudando-o, pedindo para que conte sobre as mirabolantes defesas que acabou de realizar e solicitando autógrafos.
- Já não lhe dei autógrafos depois do jogo contra o Atlético Mineiro e contra o Atlético de Goiás?
- Esse é para meu primo que mora em Campina Grande.
- Você tem que dar um autógrafo para cada defesa que faz - disse o outro menino.
- Vou ficar com a mão doendo... - brincou o goleiro.
- Sem essa! É tanta bola para defender que suas mãos já vêm doendo do estádio.
Dentro de casa, Jefferson recebe da família um tratamento de herói. A mulher preparou-lhe um pudim de leite, seu doce preferido. A mãe exalta-o com lágrimaos nos olhos.
- Tenho o maior orgulho de você, filho. Mais uma vez você salvou o Botafogo!
Jefferson é modesto.
- Os zagueiros me ajudaram, mãe...
- Se tivessem ajudado, você não teria aparecido tanto no jogo, filho...
Jefferson não sabe lidar com elogios.
- A gente faz o que pode, mãe. Mas eu levei dois gols!
- Não teve culpa - acrescentou a mulher - a falha do Guerreiro deixou você vendido, e no outro aquele escurinho acertou um chute que não vai repetir pelo resto da vida...
Jefferson soltou um muxoxo:
- Não há nada pior para um goleiro do que apanhar a bola no fundo das redes enquanto os adversários comemoram.
A mãe olhou-o no fundo dos olhos.
- Você tem trabalhado demais, filho. Está muito abatido. Acho que devia pedir um aumento de salário. Não fosse você era, e o Botafogo talvez estivesse na zona de rebaixamento!
- Exagero, mãe! Não jogo sozinho. O grupo é dedicado e valoroso...
- Se não vai pedir aumento, ao menos fala para o treinador mudar o esquema de jogo. Toda hora a bola está rondando a sua área. Você nem tem tempo para respirar. Pede a ele um esquema em que a bola não vá e volte. Um esquema em que a bola fique mais tempo no campo do adversário.
- Não vou falar com ele, mãe. Ele sabe o que faz.
- Então eu falo. Me dá o número do celular dele...
- Não adianta, mãe! Ele só sabe armar o time dessa maneira! Se você falar, ele vai falar que já foi campeão carioca sete vezes jogando assim... Vai dizer que em time que está ganhando não se mexe...
- Mas ele não está ganhando. Só está empatando.
- Então ele vai dizer que em time que está empatando não se mexe.
(Não se mexe na tática, bem entendido, porque na escalação o time mais parece um ovo mexido).
Perfeito!
SAUDAÇÕES ALVINEGRAS!!!