22/06/08

Marinho: Falou e disse!



"Parece que os jogadores já entram em campo nervosos e achando que jogam em time pequeno. A torcida alvinegra não merece isso. O Botafogo é muito grande. É o time de Nilton Santos, Garrincha, Jairzinho, Paulo César".

Comentário do Marinho Chagas, no programa EsportVisão, da TVE Brasil.

Nada a acrescentar. O Marinho disse tudo!

SAUDAÇÕES ALVINEGRAS!!!

7 comentários:

Anônimo disse...

Grande, Marinho! O time atual do Botafogo deveria ter visto o Marinho, já que eles só nos trazem as ´´chagas``.
É, Rodrigo, devemos agradecer ao Cuca o fato de não estar-mos, pelo menos está semana, na zona de rebaixamento. Agora é só torcer para: Goias, Santos e Ipatinga não vencerem seus próximos jogos, que continuaremos fora dela.
Abraços e Saudações Alvinegras

Antonio de Pádua

Francisco Lima disse...

Rodrigo, permita-me...

Marinho, a "Bruxa", disse uma senhora verdade, mas foi modesto. Lateral agressivo como poucos, merece figurar lado a lado em qualquer galeria dos grandes monstros sagrados do Botafogo, como Nilton Santos, Garrincha, Jairzinho, Paulo César, para só dizer estes que citou.

Esse eu vi jogar. Posso dizer, inclusive, que Marinho é um dos meus grandes ídolos no futebol.

Não sei mais quando isso aconteceu nem se era uma Taça Brasil ou um Torneio Rio-São Paulo. Faz tempo, mas me lembro da partida como se fosse hoje. Era um Botafogo x Santos, quase decisivo, de casa cheia, no meio da semana.

Eu cursava à noite o último período de Comunicação Social e já trabalhava de madrugada em um jornal, mas não quis nem saber. Aquele não era um jogo que se perdesse. Matei a aula e fui pro Maracanã.

O time do Botafogo era mediano, não era lá essas coisas, mas tinha uma cara nova com a camisa 6, do qual falavam maravilhas e que chegara um diantes ao clube: Marinho, lateral esquerdo que viera do Náutico com fama de ter um chute forte e de fazer muitos gols.

Louro, cabeludo, cara de surfista, com colar de contas no pescoço, ele veio para ocupar a lateral esquerda, onde, desde Valtencir, não havia um jogador à altura. O pessoal olhou meio desconfiado pra pinta do cara... Mas, olha só... Entrou numa "fria" danada, como titular, diante de 150 mil pessoas, contra o Santos, sempre uma atração no Maracanã - e ganhou o jogo para o Botafogo, por 3 x 0. Sozinho!

Um gol, dois gols, três gols de Marinho, um atrás do outro, acho que todos no primeiro tempo. Ele marcou de tudo que foi jeito: driblando e fazendo fila com três zagueiros, cobrando falta e chutando forte de fora da área. Um espanto!

Nascia mais um craque no Maracanã com o manto que um dia foi de Nilton Santos. No final do jogo, a torcida foi à loucura e só queria saber dele. Eu vi tudo da arquibancada, saí rouco do estádio e, como todos, empolgado com o Marinho.

Hoje, ele mora no Rio Grande do Norte, a terra natal, mas gosta de contar histórias do seu tempo de futebol. Uma é esta e não envolve o Fogão. Nela, ele conta como ganhou o apelido de 'A Bomba do Nordeste'. Olha só como era o cara:

"Teve um jogo entre Náutico e Sport Recife. Atuando pelo Timbu, logo fiz dois gols. Eu fazia muito gol, fazia dois, três, quatro... Todo jogo eu fazia gol. Nesse dia, eu fiz um gol de longe. O goleiro da época era o Betinho. Eu dei um cacete, do meio de campo. Com esse chute e pela força que batia na bola, o pessoal começou a me chamar de "A Bomba do Nordeste".

A outra história mostra como o alvinegro de General Severiano o fez chegar à Seleção Brasileira:

"Atuando pelo Botafogo, teve um jogo inesquecível contra o Flamengo, em 1973. Ganhamos e eu participei de quatro gols. Isso ficou na história. Joguei demais nessa tarde. Aí começou a pressão: 'convoca esse cara'! O técnico do Fla era Zagallo, também da seleção. E fui convocado, com Marco Antonio, do Flu, sendo o titular. Aí viajamos, fomos para a Europa. Ganhei uma chance na estréia na Suécia, em Estocolmo, mas perdemos de 1 a 0. E quando eu voltei da seleção, retornei à reserva. Mas houve um jogo da seleção, no Maracanã, contra a Tchecoslováquia, em que o Marco Antônio estava machucado. Zagallo me mandoueu entrar em campo, e, aos 44 minutos do segundo tempo, eu fiz o gol da vitória do Brasil, diante de 200 mil pessoas no Maracanã. Ali eu garanti minha vaga em definitivo."

É por essas e outras, amigo Rodrigo, que eu digo, sem a menor sombra de dúvida ou medo de errar, que, depois de Nilton Santos (que eu, infelizmente, não vi jogar), ele, Marinho, foi o melhor lateral esquerdo que o Botafogo e a Seleção Brasileira já tiveram.

Nesta última, aponto-o, inclusive, como melhor até do que o Roberto Carlos – e não é porque o Marinho é botafoguense. É porque ele era bom mesmo. Jogava muito.

Tempos depois, ele teve o passe vendido para o São Paulo - eles, sempre eles -, jogou umas três partidas depois contra o Botafogo, fez gols na gente, mas nunca comemorou. Olhem só sua explicação:

"O Botafogo foi a minha casa, me acolheu, me projetou para o futebol. É uma questão de respeito", disse Marinho, um grande jogador de futebol.

Um orgulho do Botafogo.

Rodrigo Federman disse...

Antônio, acho que o Cuca ainda não esqueceu o Botafogo mesmo! hehehe!
A derrota para o Goiás foi para nos poupar de dormirmor na zona incômoda! rs

Chico, belas histórias, cara.
Eu não tive o prazer de acompanhar o Marinho, mas é unânime: Tds que o viram, dizem que foi um dos maiores mesmos.
Ontem ele deixou bem claro o que sente pelo Botafogo. Acho que estas declarações de ídolos eternos deveriam ser mostrasas à exaustão para estes mercenários atuais. Sempre antes das partidas.
Ah, e sobre o seu relato, valeu a pena ter cabulado aula e trabalho neste jogo contra o Santos, hein!?

Abs e SA!!!

Anônimo disse...

Francisco, você tem razão sobre o Marinho. Depois do Nilton Santos foi o melhor lateral esquerdo que este país já teve (e olha que também tivemos o Rildo, que era um senhor lateral esquerdo). Jogava muito "A Bomba do Nordeste". Naqueles tempos, com times medianos, eu ia ao Maracanã só prá ver ele jogar. Como disse o Saldanha certa vez: "a história do futebol é feita pelo craque". Muito mais do que títulos, o craque permanece na memória. Talvez por isso é que o amor ao Botafogo seja tão grande. Às vezes não ganhamos campeonatos, mas em compensação vimos jogadores que poucos clubes no mundo tiveram o privilégio de ter. Grande abraço.

Rodrigo Federman disse...

Sérgio, acho que a melhor explicação para a paixão pelo Botafogo é esta: Não conquistamos muitos títulos, mas nossa história e eternos craques fazem com que o amor seja insuperável!
Abs e SA!!!

Francisco Lima disse...

Viram? Taí o Sérgio, que não me deixa mentir. Ele confirma tudo o que falei sobre o Marinho.

Isso só mostra que, antes de tudo, o botafoguense é um torcedor de bom gosto...

Rodrigo Federman disse...

Com certeza, Chico! rs!

Abs e SA!!!