
Não tem mais jeito.
A disputa do título brasileiro é uma realidade para o Botafogo. A confirmação veio hoje, após a vitória sobre o Cruzeiro: O 1 a 0 - gol de pênalti do Lúcio Flávio - teve sabor de goleada, tamanha a importância da partida, visto que o time mineiro ainda é vice-líder do campeonato. Agora, dois pontos na frente dos comandados do Ney Franco.
Quarta-feira, Engenhão cheio e os botafoguenses contando os minutos que antecipavam a partida. Há muito tempo não vivíamos estes momentos decisivos com tanta empolgação e intensidade.
Aliás, o Botafogo não sabe o que é perder desde o jogo contra o São Paulo, no Morumbi. Por sinal, a única derrota do Ney Franco pelo GLORIOSO.
Em compensação, o triunfo sobre o Cruzeiro foi o sexto seguido na competição (fora a vitória na Sul-Americana). E mais: Um único gol sofrido durante todo este período no Brasileirão. Os números mostram o porque subimos absurdamente na tabela de classificação.
Para quem imaginava um final de temporada lutando contra rebaixamento, a mudança está para lá de agradável.
E sabendo deste momento incrível do Botafogo, o Adilson Batista armou o Cruzeiro com um único intuito na partida de hoje: Evitar a derrota de todas as formas.
Do outro lado, Ney Franco escalou o Botafogo do jeito que os torcedores estão mais do que acostumados: De forma ofensiva, consistente e principalmente com muita disciplina tática.
Assim os dois times entraram no estádio mais moderno da América Latina.
Empurrado pelo mais de 25 mil presentes, o GLORIOSO tentou empurrar o adversário para o seu campo defensivo, imaginando que uma hora eles não aguentariam a pressão. Não contávamos, porém, com o forte ferrolho cruzeirense, que praticamente impedia qualquer investida alvinegra pelas laterais.
É lógico que os jogadores alvinegros colaboraram um pouco com a defesa mineira. Com exceção do Jorge Henrique, a movimentação botafoguense não estava como de costume. Os apoiadores passaram boa parte da primeira etapa centralizados e esperando as bolas. O problema é que não tinham com quem jogar, pois o "motorzinho" abria espaços, mas o Wellington Paulista não recebia assistência dos homens vindos de trás.
Enquanto isso as laterais eram mal utilizadas e nas raras vezes que as bolas chegavam para o Triguinho e Thiaguinho, os cruzamentos eram pessimamente executados.
Claro que o torcedor sabia das dificuldades e considerava o fato de estarmos enfrentando o vice-líder do campeonato, mas à medida que o tempo passava e o Botafogo não criava, uma certa dose de impaciência era escutada no estádio (pelo menos na TV).
Acredito que os gritos da arquibancada eram mais altos porque o Cruzeiro defendia bem e descobria um espaço para investir nos contrataques.
As chances mais claras de gols foram justamente dos mineiros. Todas pelo setor direito alvinegro, explorando as brechas deixadas pelo Thiaguinho. O Renan não precisou fazer defesa milagrosa, mas a bola que passou por ele esbarrou na trave e foi isolada pelo Triguinho, quando já ultrapassava a meta fatal botafoguense.
Era melhor descermos para o intervalo logo. A sorte - mais uma vez - andou conosco nos primeiros 45 minutos.
Sabendo que o Coritiba vencia e nos passava na classificação, Ney Franco preferiu voltar com a mesma equipe. Apenas pediu mais jogadas pelos flancos.
Apesar do pedido do treinador, parece que os jogadores não compreenderam muito bem, pois continuávamos afunilando os toques pelo meio, com o coitado do Wellington Paulista completamente sacrificado por ter que encarar - de costas - três zagueiros.
O Botafogo cozinhava a bola na intermediária cruzeirense sem saber como finalizar ao gol do Fábio e com o passar do tempo (e alguns contrataques perigosos), a impressão que dava, era de que a partida tinha a típica cara de um 0 a 0. Aliás, o resultado pretendido pelo Cruzeiro, que desde o início desceu a lenha nos alvinegros e fazia cera em toda oportunidade que surgia.
Ney Franco sentiu que precisava fazer alguma coisa. Foi aí que ele pôs o Gil em campo, com o objetivo de abrir o time e consequentemente, a defesa adversária.
No primeiro lance com a nova formação, Wellington Paulista deixou (de forma brilhante) o canhoto - que acabara de entrar - na cara do gol...
...bola para fora! Mais um sinal de empate?
Não poderíamos empatar, amigos. Como falei no início, foi uma partida de seis pontos. A vitória seria imprescindível.
Cientes da necessidade do gol, o time se jogou ainda mais para frente, deixando espaços para o Cruzeiro "matar" a partida. Mas vocês lembram daquela "sorte" que comentei? Pois é, ela colaborou, fazendo com que os atacantes de azul não tivessem competência para definir a partida.
De repente o Cruzeiro teve um jogador expulso. Por sinal, justamente (o que não impede a minha crítica ao péssimo árbitro).
Hora de apertar os caras, Botafogo.
Gil se deu ao luxo de desperdiçar outras duas bolas...
"Caramba...não é possível! Faz alguma coisa, Ney Franco! Está acabando a partida...". Eu não sabia mais o que falar, pensa ou gritar.
Mais uma bola para o Wellington Paulista, de costas para os zagueiros.
Pensei: "Coitado, mais uma vez ficará isolado, sozinho e sem ter com quem trocar passe".
Eis que o atacante utiliza o artifício que faltava no seu estoque: Se não deu resultado tentando jogar legal, vamos tentar cavar alguma coisa e ver se o juiz cai na firula. E ele caiu...
Sim! O Wellington caiu (se jogou) na área e o árbitro caiu na dele: Pênalti para o Botafogo.
Lúcio Flávio na cobrança...
...gol do Botafogo! Gol da vitória! Goleada alvinegra! GLORIOSO no G3!
Com o resultado no bolso, restava o apito final.
O Cruzeiro resolveu jogar tarde demais. Mesmo assim, com duas bolas alçadas na nossa área, eles quase acharam um gol salvador e que seria destruidor para o GLORIOSO. Ainda bem que não aconteceu. Ainda bem que a sorte realmente gostou das nossas cores.
Temos mais duas partidas no Rio de Janeiro. Duas vitórias serão necessárias. Respeitamos o Vasco e o Náutico (pensando bem, o Náutico eu não respeito), mas a obrigação do Botafogo é uma só: Vencer os dois adversários.
Muita calma nessa hora! Pés no chão e consciência de que não ganhamos nada.
Euforia é inevitável. Deve ser gozada. O otimismo, ídem. Mas saibamos administrar as horas e formas devidas. Se assim fizermos, não tenho dúvidas: O Botafogo se tornará quase imbatível, seja contra quem for.
Alvinegro, aproveite este momento. Você merece!
Contagem regressiva: Já estamos no G3!
SAUDAÇÕES ALVINEGRAS!!!
Obs: Amigos, irei bem cedo para São Paulo (a serviço) e não devo acessar a internet até retornar para Vitória, no final do dia. Portanto, o Cantinho Botafoguense ficará sem atualizações durante toda a quinta-feira.
Mas a noite eu volto, ok? Conto - como sempre - com as participações e comentários de todos!
NOTAS: BOTAFOGO 1 X 0 CRUZEIRO
1- Renan: Quando foi preciso, esteve pronto e preparado - 7,0
2- Thiaguinho: Deixou espaços perigosos para o adversário nas suas costas - 6,0
3- Edson: Boa partida, apesar de perder algumas bolas pelo alto - 6,0
4- André Luis: Hoje não esteve absoluto nas jogadas aéreas - 6,0
5- Túlio: Participou mais defensivamente do que ofensivamente. Boa partida na parte tática - 6,5
6- Triguinho: Tem vontade, eu reconheço. Mas não pode errar tantos cruzamentos - 5,5
7- Jorge Henrique: Mais uma vez, incansável. Mesmo caindo de rendimento no segundo tempo, foi o jogador que mais chamou as bolas - 7,5
8- Diguinho: A sua presença deixa a torcida mais tranquila. Saiu por ter cartão amarelo - 6,5
9- Wellington Paulista: Brigou o tempo todo sem muita assistência dos apoiadores. Ainda serviu de garçom em dois lances, além do pênalti que cavou - 6,5
10- Lúcio Flávio: Me surpreendeu com a boa movimentação. No final mostrou a sua importância ao administrar a posse de bola - 6,5
11- Carlos Alberto: Em minha opinião, a sua pior partida desde que chegou ao Botafogo - 5,0
12- Gil: Vários impedimentos, dois gols perdidos e a conhecida apatia em campo. Repito: Não me surpreendo com o seu fraco desempenho... - 5,5
Ney Franco: A idéia de abrir o time pelas duas pontas foi certíssima. Só acho que no final ele pecou pela falta de malandragem, pois poderia ganhar tempo com outras substituições e esfriar o adversário - 7,0









