O relógio marcava 44 minutos do segundo tempo, quando bola na área do Santos, Edno ajeita de cabeça para Loco Abreu, que domina, dá um lençol no goleiro e marca o gol da vitória (1 a 0) do Botafogo, em pleno Pacaembu.
Golaço que devolve o GLORIOSO ao G3 do Brasileirão.
Golaço que obriga (sim, amigos: obriga) o Joel Santana a rever seus conceitos, manias e implicâncias idiotas, pois o Botafogo não tem outro centroavante de área que não seja o Loco. Portanto, já que o treinador é covarde e não gosta de arriscar desde o início, o uruguaio não pode ser reserva.
E foi isso que o Joel fez antes da partida: Sacou o Loco, colocando o Renato Cajá para aumentar a concentração no meio de campo e explorar os contrataques diante do Santos.
No mínimo, estranho. Principalmente para quem passou o dia todo - sob os holofotes da imprensa - dizendo que jogaria para cima do adversário.
Engraçado que para pressionar o Santos, o Natalino barrou o centroavante...
...mas manteve o bossal em forma de gente, Fahel.
Nem preciso dizer que no segundo tempo o Fahel - que contra o Santos foi camisa 10 e hoje atuou com a 9 (que vergonha!) - saiu e Caio, Edno e Loco entraram, né? Isso é previsível em se tratando de Joel Santana. Independente do adversário e condições do jogo, ele se mantém fiel à sua maior companheira: A "dona sorte".
Ainda bem que "ela" deu o ar da graça nesta quinta-feira, pois caso contrário, não lamentaríamos o empate - afinal, jogar contra o Santos, em São Paulo, é sempre difícil -, mas eu sentiria um pouco de que "poderia mais", desde que atuássemos de igual para igual.
Concordo, porém, que a partida do GLORIOSO - na média - foi boa.
Muito por conta da aplicação tática (e aí, acredito, méritos do treinador), mas também da fraca partida do Santos, que mesmo mal, obrigou o Jefferson à realizar uns três ou quatro milagres.
Enquanto o goleiro alvinegro fechava tudo, o time marcava bem e tentava algumas "pontadas" em lampejos do Maicosuel e/ou enfiadas do Renato Cajá. O problema é que o Herrera brigava com a bola, os adversários e até com o juiz.
Ainda assim, o Botafogo assustou e quase marcou o primeiro gol nos 45 minutos iniciais.
Na volta do intervalo, o Dorival Junior fez duas mudanças de uma vez. Já o Joel, manteve Fahel e sua incrível inoperância.
O Herrera continuava ridículo, quando, enfim, o treinador botafoguense começou o seu roteiro de substituições: Caio na vaga do Fahel e Edno no lugar do Herrera.
Pô, mas e o homem de referência?
Seria o Abreu...
Acontece que o Joel cismou (por algum motivo) com o uruguaio e o deixou para o final.
E a minha impressão é que sequer mudaria mais o time. Mas quando o Maicosuel simplesmente "morreu" em campo, o treinador resolveu arriscar e/ou queimar de uma vez por todas o atacante da Celeste Olímpica.
Para a surpresa do treinador (e de muitos botafoguenses), o Loco entrou muito bem em campo, abrindo espaços, tocando de primeira...
...pena que nossos laterais são nulos e não acertam um cruzamento decente.
Com esse desenho, a partida se arrastava para o final.
De repente, voltamos ao primeiro parágrafo dessa resenha...
Golaço!
Loco Abreu!
Três pontos e a terceira colocação na tabela de classificação do campeonato.
Ah, mas o uruguaio ainda arranjou tempo para nos livrar de duas bolas alçadas na área, quando o Santos partiu no desespero para cima do Botafogo.
Não tinha mais jeito.
Vitória do GLORIOSO...
...graças ao único atacante de área do elenco.
Ouviu, Joel?
Agora eu quero ver o que o treinador vai falar/enrolar...
Passada a euforia, atenção redobrada para o jogão do próximo domingo, com o Engenhão cheio diante do São Paulo.
Espero que com o Loco entre os titulares!
SAUDAÇÕES ALVINEGRAS!!!
Notas: Botafogo 1 x 0 Santos
1- Jefferson: Noite dos milagres - 8,0
2- Alessandro: Como marcador, foi bem. Como lateral ofensivo, nulo - 6,5
3- Antônio Carlos: Partida exemplar, ganhando a maioria das jogadas - 6,5
4- Fábio Ferreira: No mesmo nível do companheiro de zaga - 6,5
5- Leandro Guerreiro: Confiante até nas jogadas mais difíceis. Boa partida - 6,5
6- Marcelo Cordeiro: Errou vários passes e cruzamentos. Mas como não tem reserva... - 5,0
7- Maicosuel: Não tinha com quem jogar no primeiro tempo. Mesmo assim, arriscou bons lances. Cansou na segunda etapa - 6,0
8- Marcelo Mattos: Um monstro na proteção à zaga e no auxílio aos armadores - 7,5
9- Herrera: Muito mal. Muito mal mesmo - 4,5
10- Renato: Começou errando bastante, mas depois cresceu e se apresentou do início ao fim - 6,5
11- Fahel: Sua utilização é um mistério (e não tem explicação)... - 5,0
12- Caio: Cumpriu as ordens do treinador e arriscou alguns lances - 6,0
13- Edno: O bom toque para o Abreu...e só - 5,5
14- Loco Abreu: Entrou com passes de primeira, ajudando na marcação e premiado com um golaço - 7,0
Joel Santana: Pra variar, falou muita coisa e fez (no início) o contrário. Continua se agarrando na sua principal virtude: A sorte - 5,5