
Assim que o relógio anunciou as 18h, fiz o meu breve ritual e ajeitei o sofá para mais uma partida do Botafogo. Além de enfrentar o Flamengo (que é sempre uma motivação extra), eu estava louco para saber qual o time que o Ney Franco mandaria à campo de início.
De repente, um mix de surpresa e - certa - felicidade: Finalmente alguém teve a coragem de barrar o Lúcio Flávio, que atravessa um momento ruim. Nesta hora liguei para o Fábio e dei a minha cara à tapa: "
Fabião, agora o Ney Franco me calou. Gostei dessa. O cara tem coragem".
Do outro lado da linha, o amigo alvinegro da capital federal respondeu (como se também não estivesse acreditando): "
Rodrigo, a ficha ainda não caiu".
A imensa maioria dos botafoguenses já pedia pela presença do Lúcio Flávio no banco. Quem sabe assim o jogador não refletia sobre os detalhes que precisa melhorar. E lá fomos para o jogo, com Alessandro na direita, Carlos Alberto fazendo dupla com Zé Carlos no meio e Wellington Paulista com o Jorge Henrique lá na frente. Em tese, a equipe preferida dos alvinegros...
Por ser a primeira partida com esta formação, pode ser que o grupo tenha sentido a diferença. O fato é que a ausência do Lúcio foi sentida.
Tudo bem, o Túlio foi perfeito no intervalo da partida: "
Está faltando um desempenho individual melhor de todos nós". Realmente nenhum atleta rendeu o que pode na primeira etapa. Ainda assim, tornei a ligar para o Fábio e mais uma vez dei a minha cara à tapa: "
Fabião, a equipe está uma merda. O Zé tá pior que a merda e sinceramente? O Lúcio faz sim, falta no time".
Exagero? Paixão à flor da pele? Claro. Os dois! Entretanto o segundo tempo mostrou que muita coisa mudou: Vários jogadores renderam (individualmente) melhor e a entrada do Lúcio Flávio fez diferença. Não foi algo gritante e "
de outro mundo", mas eu - que o critiquei bastante (com justiça) - reconheço que a sua participação foi importante para as jogadas ofensivas do GLORIOSO.
Só não fico completamente envergonhado, porque eu lembro que comentei algo como: O Carlos Alberto é titular do meio de campo e alguém deve sair. Lúcio Flávio ou Zé Carlos. Eu daria uma última oportunidade ao primeiro. Lembram?
Enfim, Diguinho, Túlio, Carlos e Lúcio. Este deve ser o nosso setor do meio de campo. Agora, sem que o camisa 10 seja "
maestro", "
capitão", "
peça chave", etc... Digo mais: Eu daria a camisa número 11 para o Lúcio Flávio. Acho que esta pode ser a "
mudança tática" perfeita...
Voltando ao jogo, que sorte os "
molambos" dão contra a gente, né?
O primeiro tempo alvinegro foi horrível. Com exceção de um chute do Diguinho, não fizemos nada mais. Nenhuma jogada trabalhada, triangulação e vários erros de passes e posicionamento. Para piorar, a equipe parece que não entrou em campo com o espírito que uma partida contra o Flamengo exige. Diante de tantos "
horríveis", destaque para o Zé Carlos, que além de errar tudo, não conseguia dar dois passos sem botar a língua para fora da boca.
Bom, não reclamo integralmente, pois esqueci de atentar que só não descemos perdendo para o vestiário porque o Renato Silva salvou o gol certo do Obina, depois de uma tremenda furada do próprio alvinegro. Aliás, todos sabem que eu nunca assimilei o Renato titular do Botafogo, mas a minha cisma só piora quando o alvinegro consegue perder TODAS as jogadas para o Obina em uma só partida. Não foi para um atacante. Foi para o Obina. É crítico demais, até para rir...
Com o Lúcio na vaga do cansado Zé Carlos, o GLORIOSO partiu para cima do Flamengo nos últimos 45 minutos.
As chances ainda não eram as mais claras, porém o domínio territorial estava evidente. Tão evidente como as oportunidades que daríamos para os contrataques dos "
molambos". Era um risco que precisava ser assumido, já que os três pontos eram vitais para recuperação das duas equipes no campeonato.
Ney Franco tornou o time ainda mais ofensivo quando sacou o Túlio e colocou o Gil em campo. Em compensação a defesa alvinegra ficava desguarnecida ao extremo, contando com a incapacidade e incompetência dos péssimos atacantes rubro-negros.
A esta altura os principais jogadores do Botafogo rendiam um pouco do que esperamos deles. Carlos Alberto tinha bons lampejos, junto com o Lúcio Flávio. Até a dupla Jorge e Wellington (que fizeram um péssimo primeiro tempo) cresceu no jogo. Tanto que em um lance sensacional, o paulista deixou o "
motorzinho" na cara do gol. Ele driblou o goleiro e bateu...
...o zagueiro adversário salvou a derrota quando a bola já dizia "
oi" para a rede.
No mesmo lance, Carlos Alberto cruzou e novamente o Jorge Henrique apareceu cabeceando à queima roupa para uma defesa milagrosa do Diego.
Assim que o lance foi totalmente salvo, lamentei: "
É, hoje não vai. A torcida agora é para não sermos castigados como no domingo passado".
Putz, e eu cheguei a pensar que o filme se repetiria, quando o Flamengo teve três oportunidades de ouro ao explorar nosso time todo no ataque. Pelo visto a "
pelota" estava de mal com as duas equipes.
Enquanto isso, os botafoguenses davam o luxo de - mais uma vez - não definir um clássico, tamanha era a facilidade que estava. Fácil? Bom, quero dizer...
...só faltou o último toque. E justamente este ponto que não corrigimos na volta do intervalo, quando melhoramos em todos os quesitos lamentados no primeiro tempo. Esquecemos da "
tal da finalização".
Diego de novo. Trava e chutes bisonhos cara a cara com o gol flamenguista. Estava decretado o terceiro empate do Botafogo nos clássicos deste Brasileirão. O segundo por 0 a 0 e a perda de uma posição na tabela.
Nada de pavor. O time cresceu e mostrou que realmente estamos no caminho certo e hoje eu tenho absoluta certeza: Teremos um segundo turno que nos dará alegrias ao término do Brasileirão. Para tanto, um pouco mais de atenção lá atrás e calma na frente. Ajeitando isso, temos time para brigar com qualquer outro na competição.
Quarta-feira estaremos no Engenhão para pegar o Goiás. Se o empate contra o Flamengo até que não pode ser considerado "
absurdo", o mesmo não pode ser dito do "
Esmeraldino". Ou seja, daqui a três dias só um resultado importa e nos mantém nesta crescente: A vitória!
O time melhorou, o técnico está fazendo um bom trabalho e agora a torcida precisa fazer mais a sua parte: Encher e apoiar o grupo, quando este pisar no gramado do estádio mais moderno da América Latina.
Até lá, uma boa conversa do Ney Franco com os jogadores e a pergunta que não se calará: O Lúcio joga bem quando entra no segundo tempo ou deve começar desde o início?
A minha resposta? A segunda opção. Desde que ele não seja "
o camisa 10" do time. Esta está representada - de alguma forma - por outro número (o 19). Se o Lúcio Flávio quiser e aceitar o papel de um autêntico "
8", será de grande valia.
SAUDAÇÕES ALVINEGRAS!!!NOTAS: BOTAFOGO 0 X 0 FLAMENGO1- Castillo: Não comprometeu quando exigido - 6,5
2- Alessandro: Para quem voltou de uma contusão, me surpreendeu. Boa partida - 6,5
3- Renato Silva: Perder tudo para o Obina é o cúmulo. Chega! Basta! - 5,0
4- André Luis: Ganhou a maioria pelo seu setor. Sério e sem brincadeiras - 6,5
5- Túlio: Boa partida, ajudando principalmente na parte tática da equipe - 6,5
6- Triguinho: Depois de um primeiro tempo sofrível, melhorou um pouco no segundo. Ainda assim, não esteve bem - 5,5
7- Jorge Henrique: Só viu a cor da bola nos últimos 45 minutos, e quando conclui certo, o zagueiro em um lance e o goleiro no outro, evitam o seu gol - 6,0
8- Diguinho: Alternou bons momentos e outros um pouco dispersivo. De qualquer forma, foi um dos mais participativos - 6,5
9- Wellington Paulista: Igual o companheiro de ataque. Quase marcou um golaço, além de deixar o Jorge na cara do Diego, com um lindo passe - 6,0
10- Zé Carlos: "
A 10" pesa em alguns jogadores. Não tinha pernas para andar, passar, correr e chutar - 4,5
11- Carlos Alberto: Mesmo com a equipe ruim do primeiro tempo, era o único que tentava um lance diferente. Deixou o Cristian tonto em toda a partida, mas cansou justamente no melhor momento do GLORIOSO em campo - 6,5
12- Leandro Guerreiro: Pouco tempo para fechar o meio de campo. Ainda arriscou dois chutes a gol, que esbarraram nos adversários - 6,0
13- Gil: De novo, o velho "
cisca-cisca". Eu tenho implicância com ele, mas o Gil só me provará o contrário quando mostrar efetividade... Pelo menos não foi tão mal como na quarta passada - 6,0
14- Lúcio Flávio: Ainda não rendeu o que sabemos que ele pode, mas seria injustiça dizer que o time não melhorou com a sua entrada. Melhorou sim - 6,5
Ney Franco: Mostrou coragem e domínio do grupo ao escalar e trocar o time. Tentou a vitória de todas as formas, mas hoje não foi o dia. De qualquer forma, o Botafogo é outro sob o seu comando - 7,0