
Quando a fase é boa, a esperança transforma-se em realidade rapidamente. Pois é, o Botafogo entrou no
G4, conforme meta estabelecida pelo Ney Franco. Detalhe: O planejamento visava esta posição daqui a cinco rodadas, mas o GLORIOSO fez questão de antecipar. Nada mal, né?
O Botafogo não vencia o Sport, na Ilha do Retiro, desde 1995, ano em que conquistou o título do Brasileirão (será que as coincidências continuarão?). A quinta vitória seguida no campeonato foi magrinha, mas diante da importância do resultado, o 1 a 0 tem sabor de goleada para os botafoguenses.
Foi fácil? Não. Agora, eu esperava mais dificuldades, pois o Sport em casa é sempre complicado. Além disso, não tínhamos o nosso jogador mais regular nesta temporada: Diguinho faz muita falta e isso ficou comprovado, porém, superado pela raça do time. Característica principal deste Botafogo do Ney Franco.
Já sabendo da maioria dos resultados da rodada, o alvinegro entrou em campo ciente do que fazer para subir degraus na tabela de classificação. Mesmo assim o início do jogo não foi dos mais animadores.
Parecendo confuso e com um buraco imenso no meio de campo, a partida era conduzida pelos pernambucanos, que esbarravam no forte sistema defensivo montado pelo treinador botafoguense. Quando o Botafogo tinha oportunidades para atacar, esbarrava no isolamento do seu quarteto ofensivo e no péssimo gramado da Ilha.
A troca de passes ficou comprometida pelos inúmeros montinhos no campo. Desta forma, a superioridade técnica dos botafoguenses foi comprometida. Era visível quando Jorge Henrique, Wellington, Carlos Alberto e Lúcio Flávio se perdiam com um quique indesejado da bola. Se com eles - que são os melhores do time - estava ruim, imaginem com quem não tem tanta intimidade com a "
redonda"? Triguinho e Thiaguinho defendiam bem, mas quando subiam, não cansavam de errar.
Como eu disse, sem apoio dos laterais e o Zé Carlos - para variar - morto em campo, o meio ficava desprotegido e sem chegada. O mais incrível é que mesmo assim, chegávamos até a entrada da área rubro-negra, apesar da ausência de um homem para - apenas - empurrar a bola para dentro do gol. O Wellington Paulista lutou muito, mas está provado que ele é um segundo atacante, daqueles que abrem espaços nas zagas adversárias.
Por um momento eu cheguei a comentar com o meu irmão: "
Nós estamos bem até o último toque. Temos praticamente cinco meio campistas (Zé, Carlos, Lúcio, Wellington e Jorge), mas nos falta um cara que fique plantada e sem tanta obrigação de voltar".
O ataque botafoguense esteve presente nos dois lados da área. O problema é que ficava um vazio lá dentro e não tinha elemento surpresa, já que o Túlio atuou com funções exclusivamente defensivas.
Embalado pela sua torcida, o Sport jamais assustou o Botafogo. Nas raras vezes, esbarrou no Renan, perfeito quando exigido.
Esqueci, eles tiveram, sim, uma chance no primeiro tempo: O Triguinho conseguiu perder uma bola aérea para o Carlinhos Bala. Por sorte, a bola saiu tirando tinta da trave. É a sorte do Ney Franco mostrando que está mais do que presente em General Severiano.
Para variar, Carlos Alberto tentava as jogadas mais incisivas com o Jorge Henrique, enquanto o Lúcio Flávio não rendia o esperado, comprometendo ainda mais com a falta de agressividade do ataque alvinegro.
Era bom terminar a primeira etapa. Não merecíamos sair ganhando nem perdendo. Foi o que aconteceu: 0 a 0 estava de bom tamanho.
Segundo tempo e nenhuma alteração no Botafogo. Em compensação, o Nelsinho deixou o Sport mais ofensivo e no primeiro lance, um susto para o Renan.
Aos poucos fomos tomando conta da partida. Jorge Henrique (o melhor em campo), Wellington Paulista e Carlos Alberto se revezavam na frente, tentando confundir o sistema defensivo rubro-negro. Faltava mais auxílio do meio, mas hoje - definitivamente - não era o dia para esperarmos grandes coisas.
O retrato do segundo tempo mudou um pouco. Continuávamos sem força na frente, mas os sustos lá atrás eram maiores. Graças a Deus, a dupla de zaga estava praticamente perfeita por baixo e pelo alto. Todas as bolas paravam no paredão botafoguenses, que só levou um gol nos últimos sete jogos. Contra o Cruzeiro, porém, o "
eterno" não estará em campo, já que levou o terceiro cartão amarelo. Jamais pensei que diria isso: Fará falta.
Para não dizer que a zaga alvinegra esteve perfeita, destaco - negativamente - o Triguinho. Merece muitas broncas por tentar cavar faltas caindo com as mãos na bola. Resultado: Faltas perigosas contra o GLORIOSO. Tudo porque o jogador brasileiro tem esta irritante mania. E bota irritante nisso...
Mas eu repito o início do texto: Quando a fase é boa, tudo dá certo!
Em uma jogada do rápido ataque botafoguense, Wellington Paulista chutou cruzado para dentro da área e o Jorge Henrique entrou dividindo a bola, que bateu no zagueiro do Sport e entrou carinhosamente para o gol. 1 a 0 Botafogo, com o gol atribuído ao "
motorzinho".
Era hora de sangue e raça para segurar a pressão pernambucana.
Para minha surpresa, Ney Franco não quis saber de defender. Pelo contrário, tirou o Zé Carlos e colocou o Gil.
Na teoria, ficaríamos mais ofensivos, mas a prática não deu o resultado desejado, apesar de algumas boas chances desperdiçadas em contrataques. Gil não acrescentou na frente e nem ajudou no meio de campo, ou seja, outra participação nula.
A esta altura, o Botafogo marcava dentro do seu campo, deixando o Sport vir com a bola até - quase - a área. Em minha opinião, um risco, principalmente pelas substituições não terem acrescentado em nada à equipe.
Neste momento e sem força para definir a partida, a hora é de chutões e muita marcação. A magra vitória estava nos levando ao tão esperado
G4!
E foi o que aconteceu: Chutões e carrinhos para os lados, como mandava a regra.
O Botafogo quebrou outro tabú: Repetimos o feito de 1995.
Cinco vitórias nas últimas cinco rodadas. Um gol sofrido nas últimas sete partidas e o time comprometido com o resultado, mesmo que seja conquistado na raça em detrimento à técnica. Esta postura da equipe conquista não apenas os resultados. Conquista também a confiança dos torcedores.
Quarta-feira o GLORIOSO terá um confronto que vale seis pontos. O Cruzeiro está com cinco na nossa frente, mas a casa é nossa e no Engenhão, o Botafogo dita as regras.
Há muito tempo que eu não sentia tanta confiança. É lógico que uma hora nós perderemos. Agora, precisamos aproveitar este momento ao máximo, pois a briga está aberta e o Botafogo chegou de vez.
Continuemos seguindo as metas. Próximo passo: Manutenção da posição no
G4. Para tanto, a força da torcida torna-se imprescindível e o programa da quarta-feira dos botafoguenses está definido: Engenhão, às 20:30h.
Amigos, estávamos beirando o rebaixamento e agora vislumbramos - até - o título. Não é para empolgar? É sim! Eu estou empolgadíssimo, pois as coisas estão entrando em ordem no futebol brasileiro...
O melhor do Rio acordou! O
G4 é realidade e dela não sairemos.
SAUDAÇÕES ALVINEGRAS!!!NOTAS: BOTAFOGO 1 X 0 SPORT1- Renan: Muito bom em todas as bolas na sua meta - 8,0
2- Thiaguinho: Discreto no ataque, mas bons botes na marcação - 6,5
3- Renato Silva: Muito bom nas divididas e antecipações - 7,0
4- André Luis: Soberano em todas as bolas - 8,0
5- Túlio: Ficou perdindo sem a presença do Diguinho - 6,0
6- Triguinho: A velha limitação e garra, mas teve dois erros lamentáveis ao tentar cavar faltas bobas próximas à nossa área - 5,5
7- Jorge Henrique: O polivalente está de volta. Notado em todos os setores do campo - 8,0
8- Zé Carlos: Apagado tecnica e taticamente - 5,5
9- Wellington Paulista: Lutou, tentou, chutou e criou a jogada do gol botafoguense - 6,5
10- Lúcio Flávio: Poderia aparecer mais ofensivamente. De qualquer forma, as bolas sempre passam pelos seus pés - 6,5
11- Carlos Alberto: Não foge da responsabilidade e nunca desiste de tentar. É um dos poucos que chutam de fora da área - 7,0
12- Eduardo: Deu mais opção pelo lado esquerdo, apesar das irritantes jogadas enfeitadas - 6,0
13- Lucas Silva: Não foi notado, exceto pelos três passes errados - 5,5
14- Gil: De novo, apagadíssimo... - 5,5
Ney Franco: Corajoso nas mudanças e com a habitual sorte. Que ela continue ao seu (nosso) lado - 6,5