
Uma pena!
Nada expressa melhor a derrota de 2 a 1 do GLORIOSO frente ao São Paulo, no Morumbi.
Como eu sempre digo no
Cantinho Botafoguense, futebol e justiça não são os "
melhores amigos" um do outro. Se fosse, poderíamos ter qualquer resultado nesta noite. Todos, menos uma derrota do Botafogo, o que infelizmente aconteceu.
Dos males o menor, pois nestes três pontos perdidos, não devemos dormir com sentimento de vergonha, raiva ou decepção. Enfrentamos o atual bi-campeão brasileiro e candidato ao título deste ano e por mais que o São Paulo também não seja uma maravilha do mundo, é sempre complicado enfrentá-lo na sua casa. E o Botafogo não só enfrentou, como atuou melhor, mas aí entramos naquela questão da sorte para uns e azar para outros. Hoje fomos os azarados.
Ney Franco foi tecnicamente quase perfeito. Desde a escalação (iniciando com o Carlos Alberto no banco) até as substituições (apesar de que eu não tiraria o Túlio). O único porém do seu trabalho nesta noite foi ter demorado para sacar o Zé Carlos no segundo tempo, quando nitidamente se arrastava em campo sem a menor condição física.
Tudo bem que nem por isso o time ficou pior, mas talvez um sangue novo desse ainda mais ritmo e ímpeto nos minutos finais. Colocar o Lucas Silva nos descontos foi, no mínimo, invenção.
De qualquer forma, há muito tempo que não temos treinador com autoridade para sacar o Lúcio Flávio do time titular. Mais uma vez o camisa 10 ficou devendo e foi justamente substituído. A fase do capitão alvinegro é ruim e ele precisa passar por um recondicionamento físico e técnico, pois ainda é (e pode ser mais) importante para o elenco.
Com as duas modificações feitas (já que desconsidero o minuto do Lucas Silva), podemos tirar conclusões: A primeira de que o Carlos Alberto tem cadeira cativa no time. A segunda é que o Gil pode tentar, mas não tem bola para substituir o Jorge Henrique, que sentiu que a sua "
batata estava assando" e voltou a jogar o futebol que nos acostumamos a ver em 2007.
Para aqueles que tinham receio de que o Carlos Alberto atrapalharia a boa movimentação das últimas partidas, fica a certeza de que ele prende a bola um pouco mais do que os outros, mas é por ser diferenciado e consequentemente o único capaz de decidir em um lance individual.
O seu gol foi apenas um detalhe diante dos seus três primeiros toques na bola e que significaram muito mais do que todos os minutos do Lúcio Flávio em campo. Resultado: Carlos Alberto fez o gol botafoguense e o Lúcio não teve a mesma sorte (apesar da correta jogada) quando o seu toque foi tirado sobre a linha do gol adversário.
Se o Ney Franco quiser colocar o que há de melhor no momento, precisa (deve) alterar estes dois jogadores e conversar com o Zé Carlos, explicando que só poderá contar com o canhoto nos primeiros 45 minutos, afinal, não é de hoje que o Zé "
anda em campo" nas segundas etapas.
Voltando ao jogo desta noite, eu temi pelo pior à medida que os primeiros 15 minutos passavam. A pressão são paulina foi absurda e só não levamos o primeiro revés porque a sorte resolveu nos dar uma forcinha, até que nos encontrássemos em campo. A partir de então, os dois times travaram um duelo equilibrado, com uma ligeira vantagem para o adversário, que explorava a velocidade do seu ataque e a limitação técnica do nosso setor defensivo.
E quando o Botafogo não sofria perigo e começava a incomodar o Rogério Ceni, uma bola enfiada entre o Thiaguinho e o Renato Silva, obrigou o Castillo a cometer um pênalti. Na cobrança o camisa 1 tricolor abriu o placar. Ponto, comentei: Acabou...
Na subida dos vestiários para o segundo tempo, procurei pelo Carlos Alberto, mas nada...
Os dez minutos da etapa complementar não tinham graça e nem emoção, quando o Ney Franco chamou o apoiador e colocou-o em campo, sacando o Túlio. Nesta hora, o Zé Carlos não conseguia correr de tão ofegante. Mas tudo bem, o Túlio não esteve bem e a sua substituição nesta noite não deve ser contestada como um erro. Na verdade, eu não a faria, mas entendo a opção do treinador botafoguense.
Nos primeiros toques na bola o Carlos Alberto já mostrou o que um camisa 10 precisa fazer: Ao invés de fugir da bola, procurá-la. Ao invés de esperar o passe do companheiro, pedi para que ele entregue a "
redonda" para o seu domínio.
Enquanto o Carlos Alberto ofuscava o pouco que ainda restava do Lúcio em campo, outro jogador passou a fazer uma das suas melhores partidas neste ano: Jorge Henrique caía pelos dois lados, abusando da velocidade e dribles na zaga tricolor. É claro, seria demais exigir boas finalizações do "
motorzinho", que nunca se caracterizou por este detalhe. Uma pena, pois ele teve duas chances claras de fazer o segundo gol do GLORIOSO.
Neste espaço de tempo em que o Jorge colocava o São Paulo para correr, Carlos Alberto havia empatado a partida com a mesma sorte que nos acompanhou no início da noite.
Eu já queria o empate, pois apesar de estarmos muito melhor do que o rival, igualar o placar foi tão sofrido que deveríamos agradecer em sair do Morumbi com um pontinho. Era final de jogo e só não queria perder. Além disso, eu gritava: "
Ney, o Zé morreu, coloca o Leandro para fechar o meio"...
Quando o ponteiro se encaminhava para o quadragésimo quarto minuto do segundo tempo, a sorte (ou falta dela, para não dizer azar) que nos auxiliou no início resolveu pregar uma peça que não esqueceremos tão cedo: Gol da vitória são paulina. Justo deles, que não ameaçavam o Castillo e ainda tinham que se virar na defesa contra as investidas do ataque alvinegro.
Injustiça, amigos. É o sentimento desta derrota.
Merecíamos a vitória (na pior hipótese, o empate)! Mas muita calma nesta hora. É notória a evolução do Botafogo (em todos os aspectos). É nítida também a empatia que rola entre o Ney Franco e os seus comandados.
É lógico, nunca é bom perder, porém hoje eu não durmo triste. Durmo preocupado, pois estamos mais próximos da zona de rebaixamento do que das primeiras colocações. Agora, se existem culpados pela situação atual, pode ser qualquer um, menos o Ney Franco, que inegavelmente melhorou o GLORIOSO e permite que sonhemos com um amanhã muito mais promissor.
Pior seria se ainda estivéssemos com o "
porquinho". Aí sim, a coisa estaria complicada.
Nestas três partidas o Botafogo provou que vai melhor. Precisamos acreditar. Eu mesmo estava receoso, mas a confiança voltou depois destas três últimas partidas. Agora, precisamos fazer a nossa parte: Comparecer ao Engenhão para o jogo contra o Atlético MG e no domingo, ajustarmos as contas diante do Flamengo.
São rodadas importantes e em casa. Com a melhora sensível do time, precisamos colaborar da forma que nos compete. Ou seja, enchendo os estádio.
É isso, amigos. Saio triste pela derrota. Saio com esperanças renovadas para o amanhã...
...desde que a sorte não nos deixe na mão novamente.
SAUDAÇÕES ALVINEGRAS!!!NOTAS: BOTAFOGO 1 X 2 SÃO PAULO
1- Castillo: Uma falha em bola aérea no início da partida. No mais, não teve trabalho e nem culpa no pênalti - 6,0
2- Thiaguinho: A vontade dele faz a diferença em relação ao Alessandro. Ganhou a vaga, mas precisa atentar sobre um ponto que me chamou atenção: Um pouco afobado em determinados lances - 6,0
3- Renato Silva: O futebol de costume. Bons e maus momentos - 6,0
4- André Luis: No mesmo nível do companheiro de zaga. Pelo menos é mais confiável - 6,0
5- Túlio: Não repetiu as últimas boas atuações, apesar de que não comprometeu em nada até ser substituído - 5,5
6- Triguinho: Levou vantagem na zaga. No ataque, porém, um desastre - 5,5
7- Jorge Henrique: O dono do jogo. Depois do primeiro tempo razoável, uma segunda etapa relembrando os seus melhores momentos de 2007 (inclusive na dificuldade em finalizar ao gol) - 8,0
8- Diguinho: Não inventou e nem enfeitou as jogadas. Faltou alguém para assisti-lo com mais frequência no setor - 7,0
9- Wellington Paulista: Sem oportunidades para marcar e sem muito destaque. Pelo menos se movimentou e em duas oportunidades deixou companheiros na cara do gol - 6,5
10- Lúcio Flávio: Um bom lance em quase fez o gol e só. No mais, muitos toques para o lado e bolas levantadas na área sem perigo - 5,0
11- Zé Carlos: Se enrolou em várias situações, mas no primeiro tempo chutou três boas bolas. Para variar, cansou na segunda etapa - 5,5
12- Lucas Silva: Um minuto em campo - Sem nota
13- Gil: Ainda não mostrou nada que justificasse a sua contratação. Para mim - pelo menos - não é novidade... - 5,0
14- Carlos Alberto: Entrou e mudou a equipe. Atitude e dedicação, dignas de um camisa 10 de verdade. Ainda fez o gol alvinegro - 7,5
Ney Franco: Coerente e corajoso nas substituições. Pecou apenas em não perceber a queda de rendimento físico do Zé Carlos no meio do segundo tempo - 7,0